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Em depoimento à PF, ex-presidente do BRB diz 'não ter clareza' sobre fraudes no Banco Master

Paulo Henrique Costa diz que houve mudança documental, mas não inexistência dos créditos adquiridos

Paulo Henrique Costa, presidente do BRB (Foto: Felipe Gonçalves / Lide)

247 - O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou à Polícia Federal que não há, até o momento, comprovação de que as operações envolvendo a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master configurem fraude. Segundo ele, o que foi identificado pelo banco público foi uma mudança no padrão dos documentos e na forma de originação dos créditos, sem indícios de que os ativos negociados fossem inexistentes. O depoimento integra o inquérito que apura possíveis irregularidades em operações financeiras que chegaram a representar cerca de 30% dos ativos do BRB. As informações são do G1

Depoimento à Polícia Federal

Durante o depoimento, Paulo Henrique Costa declarou: “A gente não tem clareza até hoje que isso foi uma fraude. O que a gente percebeu foi uma mudança de padrão documental e de originação do crédito”. Segundo ele, os arquivos recebidos pelo BRB indicavam a ocorrência regular de averbações e de débitos mensais. Costa destacou ainda a dimensão da operação, que envolvia aproximadamente R$ 12 bilhões, cerca de 400 mil CPFs e em torno de 1 milhão de contratos.

Operação bilionária e procedimentos adotados

De acordo com ele, ao adquirir os créditos, o BRB seguiu procedimentos usuais do mercado financeiro, incluindo o registro das operações e o envio das informações ao Banco Central. Ele afirmou também que, apesar de algumas reclamações registradas na ouvidoria, não houve relatos de clientes negando a existência dos créditos após serem informados de que se tratava de operações adquiridas de terceiros. O ex-dirigente acrescentou que testes realizados em uma amostra de cerca de 130 contratos constam de relatório circunstanciado elaborado pelo Banco Central.

Versões divergentes em acareação

A investigação da Polícia Federal inclui uma acareação realizada no fim de dezembro entre Paulo Henrique Costa e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Na ocasião, os dois apresentaram versões divergentes sobre a origem das carteiras de crédito vendidas ao banco público.

Vorcaro afirmou que informou ao BRB que as carteiras seriam originadas por terceiros e disse não ter conhecimento, à época, de que os papéis negociados pertenciam à empresa Tirreno. Paulo Henrique, por sua vez, sustentou que o entendimento do BRB era de que se tratava de créditos originados pelo próprio Banco Master, posteriormente negociados com terceiros e revendidos ao banco público.

Os vídeos da acareação foram tornados públicos após decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso, que também determinou a retirada do sigilo sobre as oitivas.

Questionamentos do Banco Central

No âmbito da investigação, o diretor do Banco Central Ailton Aquino afirmou à Polícia Federal que a governança do BRB deveria ter sido capaz de identificar se os créditos adquiridos existiam ou não. Segundo ele, a aplicação de técnicas adequadas permitiria essa verificação, apontando falhas nos mecanismos de controle do banco público.

Aquino afirmou ainda que a área de supervisão do Banco Central questionou o BRB diversas vezes, por meio de ofícios formais, sobre a geração dos créditos adquiridos do Banco Master.

Em nota, o Banco Central informou que tem obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez das instituições financeiras e monitorar riscos para preservar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional, ressaltando que cabe a cada instituição a responsabilidade exclusiva pela análise da qualidade dos créditos adquiridos e pela manutenção de controles internos adequados.

Medidas adotadas pelo BRB

Paulo Henrique Costa afirmou que, assim que o BRB identificou um padrão documental diferente, ampliou as auditorias, comunicou o Banco Central e adotou medidas para resguardar o banco, como a exigência de garantias e a substituição dos ativos.

Segundo ele, cerca de R$ 10,5 bilhões já teriam sido substituídos, restando aproximadamente R$ 2,5 bilhões, enquanto o BRB mantém cerca de R$ 9 bilhões em garantias constituídas.

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