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Governo negocia indicação de Daiana Santos na relatoria do fim da escala 6x1

Planalto negocia indicação de aliada para conduzir proposta que prevê redução da jornada semanal para 40 horas

Daiana Santos (Foto: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados)
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247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negocia nos bastidores da Câmara dos Deputados a escolha de um nome aliado para relatar o projeto de lei que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1. Entre os nomes cotados está o da deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS), autora de uma proposta semelhante que já tramita na Casa. As informações são do UOL.

A movimentação ocorre em meio ao esforço do Palácio do Planalto para acelerar a tramitação das propostas relacionadas ao tema ainda no primeiro semestre de 2026. O presidente da Câmara, Hugo Motta, decidiu destravar o andamento das discussões após reuniões com ministros e parlamentares da base governista.

A estratégia em construção prevê a divisão da tramitação entre propostas de emenda à Constituição (PECs) e um projeto de lei complementar. As PECs deverão concentrar os pontos gerais da mudança, como a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, preservação salarial e garantia de dois dias de descanso semanal.

Já o projeto de lei do governo deverá tratar de aspectos específicos da nova regulamentação trabalhista, incluindo categorias com jornadas diferenciadas, negociações coletivas e modelos especiais de escala, como o sistema 12x36 — em que o trabalhador atua por 12 horas seguidas e descansa pelas 36 horas seguintes.

Nos bastidores, Daiana Santos passou a ser vista como uma das favoritas para assumir a relatoria da proposta governista. O presidente da comissão especial que debate o tema, deputado Alencar Santana (PT-SP), afirmou que a parlamentar é um “bom nome”, embora tenha ressaltado que ainda não há definição oficial.

Segundo Alencar, a escolha dependerá de negociações entre o Palácio do Planalto e a presidência da Câmara. Enquanto isso, Daiana participa ativamente da elaboração do texto defendido pelo governo federal.

A deputada do PCdoB já possui um projeto semelhante em tramitação desde 2026. A proposta apresentada pela bancada do partido prevê a redução da jornada semanal máxima para 40 horas e alterações nas regras de descanso semanal dos trabalhadores.

O texto já avançou na Comissão do Trabalho da Câmara e tem como relator o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), que apresentou parecer favorável no ano passado. Prates também responde pela relatoria das PECs que tratam do mesmo assunto na comissão especial.

Daiana Santos chegou a solicitar o apensamento da proposta do governo ao seu projeto já em tramitação. Entretanto, pelas regras regimentais da Câmara, caso os textos tramitem conjuntamente, ela ficaria impedida de assumir a relatoria da matéria encaminhada pelo Executivo.

Parlamentares e assessores envolvidos nas negociações admitem que existe uma disputa política pelo protagonismo do tema dentro da base governista. Há movimentações para concentrar o comando político da pauta em partidos alinhados ao governo, enquanto cresce a percepção de que Leo Prates estaria sendo “escanteado” nas articulações.

O deputado baiano, no entanto, evita antecipar qualquer posicionamento sobre o projeto do governo. Ao comentar o tema, afirmou que as decisões sobre tramitação e escolha de relatoria “são do Hugo”, em referência ao presidente da Câmara.

A expectativa do governo é acelerar a votação das propostas ainda neste semestre. Leo Prates pretende apresentar o parecer da PEC na próxima quarta-feira (20), com votação prevista na comissão especial em 26 de maio. Depois dessa etapa, o texto ainda precisará passar pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Nos cálculos políticos do Planalto, a redução da jornada de trabalho se tornou uma das principais bandeiras para as eleições de 2026. Integrantes do governo avaliam que a pauta possui forte apelo popular, especialmente entre trabalhadores jovens e profissionais do setor de serviços, podendo ajudar Lula a ampliar o apoio entre eleitores da classe trabalhadora.

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