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Investigado por desvio de emendas, deputado tem apartamento em prédio de luxo em Salvador

O prédio conta com teleférico que leva o morador direto ao mar

Edifício Mansão Windberger (Foto: Reprodução)

247 - O deputado federal Félix Mendonça Jr. é um dos investigados na mais recente fase da Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de desvio de emendas parlamentares, além de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. No centro das atenções está um apartamento de alto padrão pertencente ao parlamentar, localizado em um dos prédios mais luxuosos de Salvador.

O apartamento de Félix Mendonça Jr. fica no Edifício Mansão Windberger, situado no Corredor da Vitória, área considerada uma das mais valorizadas da capital baiana. O prédio chama atenção pela infraestrutura exclusiva, que inclui um teleférico com acesso direto ao mar, ancoradouro para embarcações e vagas destinadas a motos aquáticas. Os imóveis do condomínio oferecem vista panorâmica para a Baía de Todos-os-Santos.

De acordo com informações do mercado imobiliário citadas na reportagem, os apartamentos do edifício podem chegar a 993 metros quadrados de área e alcançar valores superiores a R$ 55 milhões. O local é conhecido por abrigar moradores famosos, como o cantor Bell Marques e o jogador de futebol Everton Ribeiro, atualmente no Bahia.

Procurada, a assessoria do deputado federal informou que foi contatada pelo g1, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem original.

Natural de Itabuna, no sul da Bahia, Félix Mendonça Jr. é filho do ex-deputado federal Félix Mendonça, que morreu em 2020, aos 92 anos, em Salvador, em decorrência da Covid-19. O parlamentar foi eleito para a Câmara dos Deputados pela primeira vez em 2010 e permanece no cargo desde então.

Segundo dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2022, Félix Mendonça Jr. informou possuir cerca de R$ 3 milhões em bens. Entre os patrimônios declarados estão uma casa na Praia do Forte, avaliada em R$ 660 mil, e uma embarcação estimada em R$ 200 mil.

A nova fase da Operação Overclean cumpriu nove mandados de busca e apreensão, autorizados pelo STF, em Brasília e em municípios baianos como Salvador, Mata de São João e Vera Cruz. O tribunal também determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, com o objetivo de interromper a circulação de recursos de origem ilícita.

Segundo a Polícia Federal, o esquema investigado envolvia o direcionamento de recursos de emendas parlamentares para licitações fraudulentas. Servidores públicos facilitariam a vitória de empresas previamente escolhidas, que posteriormente superfaturavam contratos, permitindo o desvio de verbas públicas. Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

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