Alvo da PF, Félix Mendonça nega envolvimento em desvios de emendas
Parlamentar do PDT da Bahia diz que se 'limita' a apresentar emendas e critica 'morosidade' de investigação
247 - Alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido nesta terça-feira pela Polícia Federal, o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) se manifestou publicamente para negar qualquer participação em irregularidades investigadas na nona fase da Operação Overclean. Em nota, o parlamentar sustentou que sua atuação no Congresso Nacional “sempre se limitou” à apresentação de emendas parlamentares com o objetivo de assegurar recursos federais para municípios da Bahia. As informações são do jornal O Globo.
A operação apura suspeitas de desvio de emendas parlamentares e lavagem de dinheiro, envolvendo contratos públicos e possíveis esquemas de corrupção. O deputado afirmou que não participou de negociações relacionadas à execução dos repasses, ressaltando que nunca indicou empresas nem exerce a função de ordenador de despesas.
Na manifestação, Félix Mendonça Júnior criticou a duração das investigações e apontou impactos políticos negativos decorrentes de apurações prolongadas. “O parlamentar lamenta, entretanto, a morosidade de investigações dessa natureza, que comprometem reputações e causam prejuízos políticos, especialmente em ano eleitoral”, diz a nota divulgada por sua assessoria.
O deputado também declarou ter sido surpreendido pela nova diligência da Polícia Federal e afirmou não haver fatos novos que justificassem a medida. “Passados mais de seis meses, sem que tenha sido encontrado qualquer elemento contra o deputado, a nova diligência causa estranhamento”, afirmou. De acordo com o comunicado, ele vem colaborando com as investigações por meio de seus advogados.
A Polícia Federal informou que foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, houve o bloqueio de cerca de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas. A operação conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.
No caso de Félix Mendonça Júnior, a diligência ocorreu em seu apartamento funcional, localizado em Brasília. Segundo a PF, a organização criminosa sob investigação teria movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras com indícios de superfaturamento.
As apurações tiveram início a partir de suspeitas envolvendo emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e avançaram para a investigação de supostos pagamentos de propina e tráfico de influência com o objetivo de destravar contratos públicos. Entre os alvos da operação está o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, apontado pelos investigadores como operador e articulador político do esquema.


