Justiça avança em perícia sobre acidente que matou Eduardo Campos
Trabalho técnico foi autorizado para apurar causas da queda do jato em 2014
247 - A Justiça Federal deu andamento a uma nova etapa da investigação sobre o acidente aéreo que resultou na morte de Eduardo Campos, em 2014. O processo busca aprofundar a análise das circunstâncias da queda do avião que transportava o então candidato à Presidência da República em um voo que partiu do Rio de Janeiro com destino a Santos, no litoral paulista. A ação, segundo a coluna do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, tramita na 4ª Vara Federal de Santos e prevê a realização de uma perícia judicial destinada à produção de provas técnicas sobre o acidente.
Perícia judicial entra em nova fase
No âmbito do processo, a Justiça nomeou como perito Silvio Venturini Neto. Ele foi intimado a apresentar, no prazo de 15 dias, uma estimativa de honorários e um plano detalhado do trabalho técnico, incluindo a metodologia que será utilizada na condução da perícia.
O objetivo da ação é esclarecer as causas da queda do jatinho, diante de questionamentos levantados sobre os laudos oficiais já produzidos. A iniciativa judicial foi proposta pelo advogado Antônio Campos, irmão de Eduardo Campos, e por Ana Arraes, ex-ministra do Tribunal de Contas da União e mãe do ex-governador de Pernambuco.
Ação questiona laudos oficiais
Os autores da ação apontam divergências em relação ao laudo elaborado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e ao relatório da Polícia Federal, considerado inconclusivo. Durante o andamento do processo, a União argumentou que a apuração final sobre acidentes aéreos caberia exclusivamente a esses órgãos.
Esse entendimento, no entanto, foi afastado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que reconheceu a possibilidade de ações judiciais específicas para a produção de provas em casos de acidentes aeronáuticos.
Notificação internacional e indícios técnicos
Um dos fatores que contribuiu para a lentidão do processo foi a notificação da holding Textron, sediada nos Estados Unidos, proprietária da empresa fabricante das aeronaves Citation. O procedimento levou cerca de um ano para ser concluído.
Nos autos, consta ainda um parecer elaborado pelo comandante Carlos Camacho, assistente técnico dos autores da ação. O documento aponta indícios de um possível defeito no profundor do compensador, componente responsável por direcionar o leme do avião para cima ou para baixo. Segundo o parecer, o defeito pode ter sido provocado ou não, hipótese que deverá ser examinada com maior profundidade a partir da realização da perícia judicial.
