Justiça manda "Colômbia" a júri popular por mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips
Apontado pelo MPF como mandante do crime, Ruben Dario da Silva Villar, conhecido como "Colômbia", responderá por dois homicídios qualificados
247 - A Justiça Federal decidiu que Ruben Dario da Silva Villar, conhecido como "Colômbia", será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri pelos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorridos em junho de 2022 no Vale do Javari, no Amazonas. Segundo a decisão da juíza Cristina Lazzari Souza, da Subseção Judiciária de Tabatinga (AM), o acusado responderá por dois homicídios qualificados. As informações são do Metrópoles.
As circunstâncias apontadas no processo podem resultar em aumento de pena em caso de condenação. A magistrada acolheu pedido do Ministério Público Federal (MPF), que sustenta que "Colômbia" financiava um grupo envolvido com pesca ilegal na Amazônia e teria sido o responsável por ordenar os assassinatos.
A decisão também determinou que o MPF se manifeste sobre um pedido apresentado pela defesa para substituição da prisão preventiva por medidas cautelares alternativas. Atualmente, o réu permanece preso preventivamente.
Além de Ruben Dario da Silva Villar, outras quatro pessoas são acusadas de participação no caso: Amarildo da Costa Oliveira, que confessou envolvimento nos assassinatos; Jefferson da Silva Lima, conhecido como "Pelado"; Jânio Freitas de Souza, apontado pelas investigações como aliado de "Colômbia"; e Oseney da Costa de Oliveira, chamado de "Dos Santos".
Crime ocorreu no Vale do Javari
Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram em 5 de junho de 2022, durante deslocamento pela região do Vale do Javari. As buscas mobilizaram órgãos públicos, povos indígenas, moradores locais e veículos de imprensa.
Os corpos foram localizados em 15 de junho, nas proximidades do Rio Ituí. De acordo com a perícia da Polícia Federal, Bruno Pereira foi atingido por dois disparos no tórax e um na cabeça. Dom Phillips sofreu um tiro no tórax. A localização dos corpos ocorreu após Amarildo da Costa Oliveira admitir participação no crime e indicar onde estavam os cadáveres.
Conforme a denúncia do MPF, os assassinatos teriam sido motivados pela atuação de Bruno Pereira no combate a atividades ilegais na região. Pouco antes do crime, o indigenista havia coordenado a apreensão de pescados e animais que, segundo as investigações, pertenciam ao grupo criminoso.
As investigações apontam que o duplo homicídio ocorreu por meio de uma emboscada. Segundo o MPF, "Colômbia" teria participado da preparação da ação, fornecendo embarcação, combustível, alimentação e munição utilizados pelos executores na véspera do crime.



