HOME > Brasil

Lei da dosimetria pode ter efeitos adiados após judicialização no STF, dizem especialistas

Efeitos da derrubaba ao eto da dosimetria pode acontecer somente após eleições

Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional destinada à deliberação do veto presidencial (VET 3/2026) ao projeto que trata da dosimetria das penas aplicadas aos condenados nos atos de 8 de janeiro de 2023. Mesa: deputado Eros Biondini (PL-MG); presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP); senador Jaime Bagattoli (PL-RO) (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

247 - A lei da dosimetria, que prevê a redução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro, pode demorar a produzir efeitos práticos mesmo após a derrubada do veto presidencial pelo Congresso Nacional.

A nova legislação altera o cálculo das penas e pode beneficiar diretamente condenados por crimes como tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, incluindo o Jair Bolsonaro.

No entanto, especialistas alertam que os efeitos não serão automáticos. A revisão das penas dependerá de pedidos das defesas e de análise individual pelo STF, com base no princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica.

Além disso, há expectativa de reação do governo federal. Juristas apontam que o Planalto pode acionar o Supremo por meio de instrumentos como Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ou Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), questionando a validade da norma.

Caso algum ministro conceda liminar suspendendo a lei, seus efeitos podem ser interrompidos imediatamente, antes mesmo do julgamento definitivo. Isso abriria um cenário de insegurança jurídica.

A advogada Joacinara Costa, sócia do Lins de Carvalho Advogados, afirma em reportagem à CNN Brasil que a eventual suspensão da norma pode frustrar expectativas de soltura rápida de condenados.

“O efeito prático para quem imagina sair rapidamente da prisão é o seguinte: enquanto a validade da lei estiver sendo discutida no plenário do STF — o que pode levar anos — os réus continuam cumprindo as penas atuais, mais rigorosas”. disse.

Outro fator que pode atrasar a aplicação da lei é o ritmo de tramitação no STF. Mesmo após uma decisão liminar, o julgamento de mérito pode se arrastar por anos, dependendo da pauta da Corte e de eventuais pedidos de vista dos ministros.

Artigos Relacionados