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Licença de instituição de pagamento do Will Bank foi vendida para Reag em 2024

Após cisão na venda ao Master, licença passou a operar como Reag IP, em movimento autorizado pelo BC em 2025 e envolto em investigações

Reag Investimentos (Foto: Divulgação)

247 - O Will Bank, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (21), havia passado por uma importante mudança em sua estrutura societária já em 2024 — a licença de instituição de pagamento (IP) que originalmente lhe permitia operar como fintech foi vendida à gestora Reag, de João Carlos Mansur, durante a transação com o Banco Master, segundo reportagem do Valor Econômico — notícia que serviu de base para esta matéria e à qual deve ser creditada a fonte original da informação.

Na operação de venda do Will Bank ao Master no início de 2024, houve uma cisão clara: o Master ficou com a financeira, clientes e carteira de crédito, enquanto a licença de instituição de pagamento foi adquirida pela Reag. Após autorização do Banco Central, essa licença passou a operar sob o nome Reag IP em janeiro de 2025, quando também teve seu capital social ampliado de R$ 486,4 milhões para R$ 886,4 milhões. 

A Reag IP, portanto, continuou a atuar no mercado de pagamentos e serviços financeiros mesmo após a recente liquidação da controladora original, mas o processo envolvendo as instituições do grupo que controlava o Will Bank — especialmente o Banco Master e fundos associados — tem sido alvo de investigações de irregularidades e fraudes, como parte de operações como Compliance Zero e Carbono Oculto. Em alguns casos, esses fundos teriam investido em ativos ilíquidos, foram objeto de reavaliações que inflaram balanços e envolveram estruturas complexas de propriedade que dificultavam a identificação de beneficiários finais, segundo apuração de órgãos reguladores. 

Dados do sistema IFData mostram que, em setembro de 2025, a Reag IP apresentava um ativo total de cerca de R$ 448,6 milhões — dividido entre títulos e valores mobiliários e outros ativos realizáveis — e havia firmado, em agosto do ano anterior, um termo de compromisso com o Banco Central no qual se comprometeu a pagar R$ 300 mil em contribuição pecuniária por condutas irregulares relativas à nomeação de administradores e atuação sem prévia autorização da autoridade supervisora. 

A cisão da licença de IP e sua continuidade sob a marca Reag IP explica por que a liquidação do Will Bank — agora parte de uma sequência de intervenções que já afetaram várias instituições ligadas ao caso Master — não atinge diretamente a operação da Reag IP. De fato, a medida anunciada pelo Banco Central nesta quarta aplica-se à Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição controlada pelo Banco Master que havia permanecido sob Regime Especial de Administração Temporária desde a liquidação do Master em novembro de 2025, mas cuja situação econômico-financeira se deteriorou e acabou levando à liquidação definitiva. 

A transação que resultou na venda da licença de instituição de pagamento para a Reag já havia sido formalizada em documento do Banco Central publicado em janeiro de 2025, evidenciando a mudança de denominação da antiga Will S.A. Instituição de Pagamento para Reag IP S.A. – Instituição de Pagamento

A continuidade das atividades da Reag IP após tantos eventos no grupo maior reforça a complexidade do cenário regulatório e de supervisão no sistema financeiro brasileiro, bem como os desafios de monitoramento e fiscalização de estruturas empresariais que operam em diferentes segmentos, do crédito à gestão de fundos e pagamentos.

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