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Will Bank tem R$ 6 bilhões em CDBs garantidos pelo FGC

Fundo garantidor cobre CDBs e outros investimentos até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ após liquidação

Will Bank (Foto: Reprodução / Will Bank)

247 - A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central, colocou em evidência o volume de recursos aplicados por seus clientes em produtos protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Cerca de R$ 6,3 bilhões investidos em certificados de depósito bancário estão enquadrados nas regras de cobertura do fundo, que atua como um mecanismo de proteção do sistema financeiro nacional. O banco digital  integrava o conglomerado financeiro liderado pelo Banco Master. As informações são do G1

Papel do FGC na proteção de investidores

O Fundo Garantidor de Créditos é uma associação privada, sem fins lucrativos, integrante do Sistema Financeiro Nacional. Sua função é preservar a estabilidade do setor bancário, prevenir crises e proteger depositantes e investidores em casos de intervenção ou liquidação de instituições financeiras.

Na prática, o FGC funciona como um seguro privado. Ele garante a devolução de recursos aplicados ou depositados em bancos que enfrentem dificuldades, respeitando o limite de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por conglomerado financeiro.

Como funciona o ressarcimento após a liquidação

Segundo o FGC, aproximadamente 800 mil credores do Banco Master têm direito ao ressarcimento, sendo que cerca de 400 mil já concluíram integralmente o processo de solicitação. O valor total a ser pago e o número final de clientes atendidos dependem da consolidação das informações pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.

Em nota, o fundo esclareceu que “caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro”.

O FGC informou ainda que não existe prazo legal para o início dos pagamentos. Após a assinatura do termo de solicitação, a liberação costuma ocorrer em até 48 horas úteis, desde que os dados estejam corretos. Nas liquidações mais recentes, o intervalo entre a decretação da medida e o pagamento variou entre 14 e 40 dias.

Quais investimentos têm cobertura do fundo

Estão incluídos na cobertura do FGC os certificados de depósito bancário (CDBs), recibos de depósito bancário (RDBs), letras de crédito imobiliário (LCIs) e letras de crédito do agronegócio (LCAs). A indenização considera o valor investido acrescido dos rendimentos acumulados até a data da liquidação, sempre respeitando o teto legal.

Valores que ultrapassem esse limite não são garantidos e permanecem vinculados ao processo de liquidação, no qual o credor passa a integrar a massa falida como credor quirografário, sem garantia de recebimento.

Como solicitar o pagamento da garantia

Para pessoas físicas, a solicitação deve ser feita pelo aplicativo oficial do FGC, disponível nas lojas Google Play e Apple Store. No aplicativo, o investidor pode verificar se a instituição já está habilitada para pagamento, acompanhar notificações e realizar o pedido, informando dados pessoais e uma conta bancária de mesma titularidade.

Para pessoas jurídicas, o procedimento ocorre por meio do Portal do Investidor. Após o preenchimento das informações, o fundo envia orientações por e-mail, e o pagamento é realizado por transferência para uma conta vinculada ao mesmo CNPJ.

Casos específicos, como pagamentos a inventariantes ou ao espólio, são tratados diretamente pelo FGC com os beneficiários.

Entenda a liquidação do Banco Master

A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de uma instituição que não apresenta mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, encerra operações, vende ativos e paga credores conforme a ordem prevista em lei, até a extinção do banco.

O Banco Master já enfrentava risco elevado de insolvência devido ao alto custo de captação e a investimentos considerados arriscados. Um dos principais fatores foi a emissão de CDBs que ofereciam remuneração muito acima da média de mercado, sem comprovação adequada de liquidez.

Segundo as investigações, o banco emitiu cerca de R$ 50 bilhões em CDBs, aplicando parte desses recursos em ativos sem lastro comprovado. Tentativas de venda da instituição, incluindo propostas do BRB, acabaram canceladas em meio a questionamentos e falta de transparência. Com a liquidação, qualquer negociação em andamento foi automaticamente interrompida.

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