Lula alerta México sobre risco de crise como ocorrido no Brasil em 2013
Presidente diz que conversará com Claudia Sheinbaum sobre cenário similar às manifestações de 2013 no Brasil
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (10) que pretende conversar por telefone com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, para discutir a conjuntura política do país. Segundo ele, há sinais de movimentos que lembram o processo de instabilidade vivido pelo Brasil a partir das manifestações de 2013. As informações são da Sputnik Brasil.
As declarações foram feitas durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
O encontro teve como tema "Da soberania nacional ao protagonismo global" e reuniu ministros, empresários e representantes da sociedade civil para debater estratégias de desenvolvimento sustentável e metas para o Brasil até 2035. De acordo com o Palácio do Planalto, a reunião buscou discutir caminhos para fortalecer o crescimento econômico e ampliar a inserção internacional do país.
Lula vê paralelos entre México e Brasil pós-2013
Ao comentar a situação política mexicana, Lula afirmou que pretende abordar o assunto diretamente com Claudia Sheinbaum. O presidente disse identificar no México elementos semelhantes aos que marcaram o cenário brasileiro a partir das manifestações de junho de 2013.
Em uma das declarações de maior repercussão do discurso, Lula alertou que, "por um dedo que talvez nem seja mexicano", protestos semelhantes aos registrados no Brasil poderiam ganhar força no país.
Segundo ele, as manifestações que começaram com reivindicações relacionadas ao aumento das tarifas de transporte acabaram produzindo consequências profundas na política brasileira. "Todo mundo está lembrado de que uma simples reivindicação de 20 centavos de aumento do transporte foi o grande eixo para que a extrema-direita tomasse conta das ruas", afirmou.
Defesa do investimento público
Durante o evento, Lula também criticou correntes econômicas que rejeitam a participação do Estado na promoção do desenvolvimento e associou essa visão a atrasos históricos enfrentados pelo país. "Quanto custou não fazer a p*** das coisas certas nesse país", declarou o presidente.
Lula defendeu investimentos públicos em infraestrutura, inclusão social e ampliação da capacidade produtiva, argumentando que o crescimento econômico sustentável depende da atuação estratégica do Estado.
Críticas a possíveis tarifas dos EUA
O presidente também comentou as ameaças de novas tarifas comerciais contra produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos, atualmente governados pelo presidente Donald Trump. Lula questionou argumentos ambientais utilizados para justificar eventuais medidas restritivas e ressaltou os resultados alcançados pelo Brasil na redução do desmatamento.
"Por muito desmatamento? Será que eles não percebem que eles já estão carecas, e que nós ainda estamos como jogadores cortando só um pedacinho aqui do lado? Será que eles não se dão conta de que nós, nesses três anos, diminuímos o desmatamento em todos os biomas?", disse.
Soberania e protagonismo global
Ao longo do discurso, Lula reforçou a defesa da soberania nacional como eixo central da estratégia de desenvolvimento brasileiro. Segundo ele, o fortalecimento da economia, da infraestrutura e das políticas públicas é essencial para ampliar a presença do país nos principais fóruns internacionais. O presidente destacou ainda a necessidade de reduzir desigualdades sociais e ampliar a competitividade da economia nacional, fortalecendo a capacidade produtiva brasileira.
Governo prepara lançamento do Telefone Seguro
Outro anúncio feito por Lula foi o futuro lançamento do programa Telefone Seguro, iniciativa voltada ao combate ao furto e ao roubo de celulares.
A proposta prevê a ampliação dos mecanismos de proteção aos usuários, com ferramentas digitais capazes de facilitar o bloqueio e o rastreamento de aparelhos roubados ou furtados, dificultando sua utilização e comercialização ilegais.
Segundo o presidente, a medida integra um conjunto de ações destinadas a aumentar a segurança da população e reduzir os prejuízos provocados pelos crimes patrimoniais relacionados ao mercado clandestino de celulares.



