Lula celebra retomada de produção de fertilizantes na Bahia e defende Petrobras forte
Unidade de Camaçari opera com 90% da capacidade após investimento de R$ 100 milhões e atende 5% da demanda nacional por fertilizantes
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (14) a retomada da produção nacional de fertilizantes como parte de uma estratégia para fortalecer a Petrobras, reduzir a dependência externa do Brasil e ampliar a soberania econômica do país. A declaração foi feita durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari, unidade que voltou a operar em janeiro, recebeu investimento de R$ 100 milhões e já funciona com 90% de sua capacidade total.
A Fafen-BA tem capacidade para produzir 1.300 toneladas diárias de ureia, 1.300 toneladas diárias de amônia e 178 toneladas diárias de Agente Redutor Líquido Automotivo, o ARLA 32. Segundo a companhia, a unidade atende atualmente 5% da demanda nacional por fertilizantes e reforça a produção interna em um setor estratégico para o agronegócio e a segurança alimentar.
Lula comparou a retomada da Fafen-BA a outros esforços de fortalecimento da indústria nacional, especialmente no setor naval. Segundo ele, o Brasil abandonou atividades estratégicas ao adotar a lógica de que seria mais barato comprar no exterior do que produzir internamente.
“Produzir aqui poderia ser um pouco mais caro, é verdade. Mas a gente estaria trazendo para cá conhecimento tecnológico, a gente estaria trazendo para cá mão de obra qualificada, a gente estaria trazendo para cá pagamento de salário, a gente estaria trazendo desenvolvimento interno para que o Brasil pudesse competir”, afirmou.
O presidente também criticou a venda de ativos da Petrobras em governos anteriores e disse que a fragmentação da estatal retirou instrumentos importantes de atuação no mercado. Ele citou a antiga BR Distribuidora e afirmou que a alienação da empresa reduziu a capacidade da companhia de influenciar a distribuição de combustíveis.
“Você acha que eu me conformei algum dia com a venda da BR? Por que vender a BR? Ou seja, ao vender a BR, eles tiraram da Petrobras o direito de influir nos preços, na distribuição”, declarou. Lula acrescentou que deseja ver a Petrobras voltar ao setor: “Eu tenho certeza que se a gente tiver no ritmo que a gente dá, e se vocês tiverem a vontade política, a gente vai ter uma distribuidora de gasolina outra vez”.
No ponto central do discurso, o presidente ressaltou que o Brasil, por sua importância na produção agrícola, não pode depender majoritariamente de fertilizantes importados. Para Lula, a retomada da Fafen-BA ajuda a enfrentar uma vulnerabilidade estrutural da economia brasileira.
“O Brasil é um país agrícola. O Brasil é o segundo maior produtor de alimento. E o Brasil precisa de fertilizante. E o Brasil não pode ser importador de 90% do fertilizante que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa ser dono do seu nariz e produzir os fertilizantes”, afirmou.
Lula também mencionou projetos de fertilizantes interrompidos no passado, como a fábrica de ureia em Três Lagoas, que, segundo ele, ficou inacabada após sua saída da Presidência em 2010. O presidente criticou o custo econômico e social de manter estruturas industriais paralisadas por longos períodos.
“As pessoas não se dão conta do prejuízo da nação quando você deixa uma coisa como essa sem produzir, ou você deixa uma fábrica para construir, sabe, paralisada durante 15 ou 20 anos”, disse.
O presidente ampliou as críticas às privatizações e defendeu a presença do Estado em áreas estratégicas. Ao mencionar a Eletrobras, contestou o argumento de que empresas privadas são necessariamente mais eficientes do que empresas públicas e afirmou que a questão central é a qualidade da gestão e do projeto nacional.
“Nada é mais importante para um país do que a gente ser dono do nariz, do que a gente ter orgulho”, afirmou Lula, ao defender que o Brasil mantenha capacidade própria de decisão em setores essenciais.
Lula também relacionou soberania econômica à política externa. Ele afirmou que o Brasil deve dialogar com grandes potências em condição de igualdade, sem abrir mão de temas que considera internos, como democracia e soberania.
Ao relatar uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou: “Eu vim aqui discutir tudo que os americanos querem discutir com o Brasil, menos democracia e soberania, porque isso é coisa nossa”.
Lula disse ainda que o Brasil tem condições de se relacionar com Estados Unidos, China e Rússia de forma respeitosa e independente. O presidente também citou planos de cooperação internacional envolvendo a Petrobras, incluindo a possibilidade de atuação conjunta com a Pemex, estatal mexicana, no Golfo do México.
“A gente quer prospectar. Petróleo e águas profundas em sociedade com a Pemex mexicana no Golfo do México”, afirmou Lula. Ele também defendeu que a Petrobras amplie sua presença em países africanos, destacando a experiência da companhia na prospecção em águas profundas.
Na parte final do discurso, Lula relacionou crescimento econômico à inclusão social. Segundo ele, o aumento da renda e do consumo da população mais pobre é decisivo para impulsionar a economia brasileira.
“A nossa sorte é incluir o povo pobre na economia brasileira. A hora que o pobre tiver salário, a hora que ele tiver possedos de consumo, a hora que ele puder comprar, esse país vai crescer”, declarou.
O presidente também defendeu políticas de acesso à educação, como ProUni, Fies, institutos federais, escola em tempo integral e Pé-de-Meia. Lula afirmou que a ampliação das oportunidades educacionais permite que filhos de trabalhadores disputem espaço em condições mais justas.
“Eu não quero tirar nada de ninguém, mas eu quero que o filho de uma empregada doméstica disputa a mesma vaga que o filho da sua patroa numa universidade e que veta o melhor. E que vença o melhor”, disse.



