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Petrobras retoma produção de ureia na Ansa no Paraná

Com R$ 870 milhões em investimentos, estatal reativa fábrica em Araucária, gera empregos e amplia produção de fertilizantes, reduzindo dependência externa

Sede da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa) (Foto: Michel Chedid/Agência Petrobras)

247 - A Petrobras iniciou, nesta quinta-feira (30), a produção de ureia na Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), marcando a retomada efetiva das operações da unidade localizada em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (PR). A reativação encerra um período de hibernação iniciado em 2020 e representa um movimento estratégico da companhia no setor de fertilizantes.

De acordo com informações divulgadas pela Petrobras, o início da produção inaugura uma nova fase operacional da fábrica, após um amplo processo de recuperação estrutural e técnica. A retomada da Ansa integra o plano da estatal de reforçar sua presença no segmento de fertilizantes, considerado essencial para a economia nacional.

Para viabilizar o retorno das atividades, a empresa destinou cerca de R$ 870 milhões à unidade. Desde o anúncio da retomada, feito em 2024, foram realizadas intervenções que envolveram manutenção de equipamentos, inspeções técnicas, testes operacionais, recomposição de equipes e contratação de serviços especializados.

Retomada industrial e geração de empregos

O processo de reativação da fábrica também teve impacto relevante no mercado de trabalho. Durante a fase de mobilização, mais de 2 mil empregos foram gerados, além da manutenção de aproximadamente 700 postos de trabalho diretos na operação regular da planta.

Antes mesmo de iniciar a produção de ureia, a unidade já havia atingido marcos importantes. Entre eles, a fabricação de ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), utilizado na redução de emissões de veículos a diesel, além da produção de amônia por meio de contrato de industrialização.

A retomada das operações ocorre de forma gradual, com foco na segurança dos trabalhadores, na confiabilidade dos sistemas industriais e na estabilidade produtiva. Segundo o Diretor Industrial e presidente interino da Ansa, Marcelo dos Santos Faria, o momento é estratégico para o país. “Estamos retomando uma operação estratégica. A Ansa volta a produzir ureia em um momento em que ampliar a capacidade interna desse insumo é cada vez mais relevante para o Brasil”, afirmou.

Expansão da produção nacional de fertilizantes

A reativação da Ansa se soma ao retorno das atividades em outras unidades da Petrobras no segmento. As fábricas FAFEN-BA, na Bahia, e FAFEN-SE, em Sergipe, voltaram a operar em janeiro de 2026 e dezembro de 2025, respectivamente.

Com a produção combinada das três unidades, a expectativa da companhia é alcançar cerca de 20% de participação no mercado interno de ureia. O avanço reforça a estratégia de reduzir a dependência externa do insumo, amplamente utilizado no agronegócio brasileiro.

A Petrobras também projeta ampliar ainda mais sua presença no setor com a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS). A previsão é de que a planta entre em operação comercial em 2029.

Impacto no agronegócio e na indústria nacional

Com a entrada em funcionamento da UFN-III, a estimativa é que a participação da estatal no mercado nacional de ureia alcance cerca de 35% nos próximos anos. O movimento sinaliza uma mudança estrutural na oferta interna de fertilizantes.

Para o diretor de Processos Industriais da Petrobras, William França, a retomada das operações tem impacto direto na economia. “Com as Fafens e, agora, a Ansa em pleno funcionamento, reduzimos a dependência externa de ureia e fortalecemos a cadeia produtiva do agronegócio e da indústria nacional. O setor de fertilizantes é estratégico para a Petrobras, e estamos retomando investimentos com base em estudos de viabilidade técnica e econômica”, declarou.

Localizada ao lado da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), a Ansa possui capacidade instalada para produzir 720 mil toneladas por ano de ureia, o equivalente a cerca de 8% do mercado nacional. A unidade também pode produzir 475 mil toneladas anuais de amônia e 450 mil metros cúbicos de ARLA 32, consolidando-se como um ativo relevante na estratégia industrial da Petrobras.

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