Lula cobra respeito e fala em reciprocidade contra os EUA após expulsão de delegado no caso Ramagem
"Não aceitarei essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil", afirma Lula
247 - O presidente Lula afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil poderá responder com medidas de reciprocidade após os Estados Unidos determinarem a saída de um delegado brasileiro ligado ao caso da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). A declaração foi dada em Hannover, na Alemanha, onde está em vivista oficial.
Segundo Lula, o governo brasileiro foi informado sobre o caso na manhã desta terça e ainda busca detalhes sobre a decisão americana. Mesmo assim, o presidente indicou reação caso fique comprovado excesso por parte das autoridades dos Estados Unidos.
"Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil", salientou.
Além de mencionar a possibilidade de resposta diplomática, Lula também condenou o que classificou como interferência indevida dos Estados Unidos em relação ao Brasil.
"Não aceitarei essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil", enfatizou.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, negou irregularidades e afirmou que o Brasil aguarda explicações formais das autoridades americanas.
"Essa notícia não tem fundamento. Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas", disse Vieira, ressaltando que o delegado atuava oficialmente em cooperação com agentes americanos em Miami e que essa função era conhecida pelas autoridades locais.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que o delegado brasileiro está nos Estados Unidos há mais de dois anos em missão oficial.
Marcelo Ivo de Carvalho foi designado em março de 2023 para trabalhar em Miami em parceria com o ICE, agência americana ligada à imigração. Entre as atribuições estavam localizar e prender foragidos da Justiça brasileira em território americano.
Em março de 2025, a permanência dele no posto foi prorrogada até agosto deste ano.
Na segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou, em rede social, que determinou a saída do delegado brasileiro do país.
Sem citar nomes, o governo americano afirmou que uma autoridade brasileira tentou “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” em solo americano.
A Polícia Federal informou que não recebeu comunicação oficial sobre a medida. O Itamaraty, por sua vez, preferiu não comentar o caso naquele momento.
A decisão americana ocorre em meio à repercussão internacional envolvendo Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e ex-deputado federal. O episódio amplia o desgaste diplomático entre Brasil e Estados Unidos e pode gerar novos desdobramentos políticos nos próximos dias.


