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Comissão do Senado avalia convocar diretor da PF por caso Ramagem

Senador Jorge Seif questiona cooperação entre Brasil e EUA na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem

Andrei Rodrigues Foto: Andressa Anholete/Agência Senado (Foto: Andressa Anholete)

247 - A Comissão de Segurança Pública do Senado deve analisar a convocação do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para prestar esclarecimentos sobre a detenção do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, nos Estados Unidos. O caso levanta questionamentos sobre uma possível cooperação entre autoridades brasileiras e estadunidenses, além das circunstâncias que levaram à posterior soltura do brasileiro.

Segundo o SBT News, o requerimento foi apresentado pelo senador bolsonarista Jorge Seif (PL-SC), que cobra explicações detalhadas da Polícia Federal sobre a atuação da corporação no episódio. O parlamentar aponta inconsistências e lacunas na versão divulgada pelo órgão.

Questionamentos sobre cooperação internacional

No documento, o senador afirma que a comunicação oficial da PF deixou dúvidas relevantes sobre o caso. “A recente comunicação pública da Polícia Federal acerca da detenção de cidadão brasileiro em território norte-americano, vinculada a suposta cooperação policial internacional, suscitou questionamentos relevantes quanto à precisão, completude e enquadramento jurídico das informações divulgadas”, diz o texto.

O requerimento também destaca a ausência de esclarecimentos sobre aspectos centrais, como a natureza jurídica da detenção — se migratória, extradicional ou híbrida —, o tipo de cooperação efetivamente realizado pelas autoridades brasileiras e a base legal utilizada no acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos. Outro ponto levantado é a falta de explicações para a soltura de Ramagem por parte das autoridades norte-americanas.

Versões divergentes e repercussão política

Nas redes sociais, Jorge Seif questionou diretamente o desfecho do episódio. “Se a prisão decorreu de cooperação internacional entre PF e ICE, como Ramagem foi solto e não extraditado?”, escreveu.

Anteriormente, agentes estadunidenses afirmaram não ter havido qualquer cooperação com autoridades brasileiras na detenção de Ramagem, ocorrida na Flórida. A apuração também indica que a liberação do ex-diretor da Abin ocorreu após uma conversa entre Eduardo Bolsonaro e Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Investigação em andamento

Ainda segundo a reportagem, autoridades estadunidenses investigam os fatores que levaram agentes do serviço de imigração (ICE) ao local onde Ramagem estava. Há também apuração sobre a possibilidade de monitoramento por autoridades brasileiras em território dos Estados Unidos.  Procurado, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não se pronunciou sobre o caso. 

Condenação por envolvimento na trama golpista

Alexandre Ramagem está na lista de procurados pela Interpol. O governo brasileiro solicitou aos Estados Unidos a extradição do ex-deputado no final de 2025. A fuga ocorreu após Ramagem ser condenado pelo STF a 16 anos de prisão por fazer parte da trama golpista. Segundo a Polícia Federal, ele fugiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.

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