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Lula defende educação e união dos Três Poderes no combate ao feminicídio: 'a luta é de todos'

Presidente afirmou que pacto contra violência às mulheres já avançou mais em 100 dias do que em décadas de políticas públicas

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (20) o fortalecimento da educação, das políticas públicas e da mobilização social no combate à violência contra mulheres e meninas durante reunião do Comitê Gestor do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios. O encontro marcou os 100 dias do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio.

o governo federal fez um balanço das ações implementadas desde o lançamento da iniciativa, em fevereiro deste ano. O pacto, que tem como lema “Todos por Todas”, reúne União, estados, municípios e o Distrito Federal em ações integradas de prevenção à violência, fortalecimento da rede de proteção e responsabilização de agressores.

Durante o discurso, Lula afirmou que os resultados alcançados em pouco mais de três meses superaram as expectativas iniciais dos envolvidos na criação do pacto.

“Quando nós tivemos a ideia de juntar os três poderes e construir esse pacto contra a violência contra as mulheres, certamente quase nenhum de nós acreditávamos que fosse possível, em tão pouco tempo, fazer a colheita do resultado do trabalho que estamos fazendo hoje”, disse.

O presidente também elogiou a atuação do Congresso Nacional na aprovação de medidas voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres. “É de a gente reconhecer publicamente o Congresso Nacional, que muitas vezes é muito criticado e poucas vezes elogiado, de elogiar a rapidez e a ousadia de vocês de aprovarem tantas coisas em tão pouco tempo”

Apesar dos avanços, Lula ressaltou que o país ainda está distante de erradicar a violência de gênero. “Já fizemos tudo? Não. Já acabamos com a violência? Não. Já politizamos o ser humano homem? Não”.

O presidente afirmou que os primeiros 100 dias do pacto representaram um marco nas políticas públicas de enfrentamento ao feminicídio. “Em apenas cem dias nós fizemos mais nesse país do que tudo que foi feito antes do pacto nacional contra a violência. Tudo. Nós fizemos mais do que no século”.

Lula destacou ainda a importância da atuação do Estado para incentivar denúncias e ampliar a confiança das vítimas na rede de proteção.

“O que nós estamos provando aqui é que o silêncio e a omissão não ajudam. O que nós estamos percebendo aqui é que quando o Estado mostra que ele está cumprindo com as suas obrigações as pessoas passam a confiar e quando as pessoas passam a confiar as pessoas começam a denunciar”, explicou.

Ao abordar a dimensão social do problema, o presidente afirmou que o combate ao feminicídio deve envolver toda a sociedade. “Todo mundo tem que se sentir agredido quando uma mulher é agredida. Todo mundo tem que se sentir violentado quando uma menina de 12 anos é violentada”, afirmou.

Em outro trecho do discurso, Lula associou a violência de gênero à falta de educação e ao comportamento machista reproduzido dentro das famílias e da sociedade. “Daí o papel importante da educação nessa questão da luta contra o feminicídio”

O presidente também criticou comportamentos possessivos e ciumentos em relacionamentos, classificando-os como sinais de violência. “Eu sou daqueles que acham que o homem não se deu conta de que o ciúmes é uma doença das mais violentas que nós temos”, afirmou.

Lula afirmou que muitos homens ainda tentam controlar a liberdade e a autonomia das mulheres.

“Tem gente que tem ciúmes de não deixar a mulher ir tomar um chope com uma companheira, com um monte de amigos, depois do horário de trabalho. Que não deixa a mulher no campo de futebol. Que não deixa a mulher ir sozinha no show”, lamentou.

Na avaliação do presidente, o enfrentamento estrutural da violência exige mudanças profundas no processo educacional desde a infância. “Como é que a gente vai vencer essa coisa se não for na educação? Como é que a gente vai preparar um menino de seis anos de idade numa creche? Que ele não é melhor do que a menina”, explicou.

Lula também defendeu a inclusão do debate sobre violência de gênero e direitos humanos nos currículos escolares brasileiros. “O Conselho Nacional de Educação precisa saber como é que a gente coloca isso corretamente no currículo escolar”, disse.

O presidente encerrou a fala defendendo que o combate à violência contra mulheres seja tratado como um compromisso permanente da sociedade brasileira. “A luta não é dos outros, a luta não é dela, a luta não é feminina, a luta é do ser humano”, completou.

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