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Lula defende fim da escala 6x1 e diz que busca acordo nacional

Presidente diz que proposta busca equilíbrio entre empresários e trabalhadores e mais tempo para família e estudo

Presidente Lula durante a abertura da 2º Conferência Nacional do Trabalho, juntamente com o vice-presidente Geraldo Alckmin, e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender mudanças na jornada de trabalho no Brasil e afirmou que o governo busca construir uma proposta capaz de conciliar interesses de trabalhadores, empresários e da economia nacional. O debate envolve o possível fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um. Lula afirmou que a intenção é avançar em um conjunto de medidas que melhore a qualidade de vida da população, ao mesmo tempo em que preserve o diálogo com o setor produtivo.

“O que nós estamos tentando é construir um conjunto de propostas que interessa a empresários e a trabalhadores, que interessa ao país, para dar mais comodidade nesse mundo nervoso, para que as pessoas tenham mais tempo de estudar, mais tempo de ficar com a família, descansar”, disse o presidente durante a abertura da II Conferência Nacional do Trabalho, realizada em São Paulo. 

Segundo Lula, é preciso negociar para "contemplar a maioria dos interessados", além de ser preciso "construir a maioria" para que o projeto seja aprovado pelo Congresso Nacional. 

Debate sobre jornada de trabalho ganha força

A discussão sobre a redução da jornada também foi defendida pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Durante participação em evento, ele afirmou que o Brasil já reúne condições para debater mudanças na organização do trabalho.

Segundo o ministro, a economia brasileira estaria “madura” para discutir a redução da jornada semanal. Ainda assim, Marinho ressaltou que o avanço do tema exige negociação entre trabalhadores, empresários e representantes políticos.

Em outro evento realizado pela manhã, o ministro também afirmou que o governo não descarta apresentar um projeto de lei sobre o assunto. A iniciativa poderia acelerar o debate no Congresso, já que propostas de emenda à Constituição exigem dois turnos de votação tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado.

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), ressaltou que a ideia de que o Brasil entraria em colapso econômico com o fim da escala de trabalho 6x1 demonstra desconhecimento sobre a realidade do país. “Dizer que o Brasil vai quebrar com o fim da escala 6x1 é não conhecer a realidade do Brasil. É desobedecer à Constituição Federal, que diz que todos são iguais perante a lei”, afirmou a ministra.

Congresso analisa propostas sobre a escala 6x1

No Legislativo, o tema já está em discussão. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), comprometeu-se a colocar o debate em pauta até maio. O parlamentar reuniu duas propostas de emenda à Constituição que tratam da jornada de trabalho e encaminhou o texto à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Caso a proposta seja aprovada no colegiado, ainda será necessária a criação de uma comissão especial antes da análise em plenário.

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