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Lula "deve ligar ou mandar carta" a Trump sobre tarifaço, diz Durigan

Presidentes brasileiro e norte-americano estarão na reunião do G7, mas não há previsão de agenda bilateral

Lula e Donald Trump - 23 de setembro de 2025 (Foto: Reuters)
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247 - O governo brasileiro busca ampliar o diálogo com os Estados Unidos para tentar evitar a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, e o presidente Lula (PT) avalia telefonar ou enviar uma carta ao presidente Donald Trump para tratar diretamente do tarifaço dos EUA, segundo afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista ao podcast Warren Política.

A declaração foi dada na sexta-feira (12) e divulgada nesta segunda-feira (15) no YouTube. O governo Lula tenta abrir canais com autoridades norte-americanas em meio à ameaça de novas sanções comerciais contra exportações brasileiras, em uma disputa que envolve acusações de práticas consideradas “irrazoáveis” pelos Estados Unidos.

Na entrevista, Durigan afirmou que o Brasil segue disposto a negociar com integrantes do governo norte-americano e indicou que Lula pode buscar uma interlocução direta com Trump. O objetivo é tentar reduzir a tensão comercial e evitar que a proposta de taxação avance sem uma resposta diplomática do Brasil.

“Presidente deve ligar ou mandar uma carta para o presidente Trump. Eu também já disse, estou à disposição para falar com o Scott Bessent (secretário do Tesouro dos EUA). O (Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) Marcio Elias Rosa está falando com o Jamieson Greer (secretário de Negócios dos EUA); deve falar agora nesses próximos dias”, afirmou Durigan.

O possível contato entre Lula e Trump ocorre em um momento de aproximação diplomática forçada pela agenda internacional. Os dois estarão no encontro do G7, grupo que reúne sete das maiores economias do mundo, na França. O Brasil não integra o bloco como país-membro, mas participa da reunião como convidado.

Apesar da presença dos dois presidentes no mesmo evento, nenhuma reunião bilateral entre Lula e Trump foi divulgada. A expectativa do governo brasileiro, segundo Durigan, é manter abertos os canais de negociação antes que a proposta de tarifa seja consolidada.

Na terça-feira (9), Durigan já havia afirmado que deveria ocorrer, “nos próximos dias”, uma reunião virtual entre Marcio Elias Rosa e Jamieson Greer. Ele também disse que provavelmente participaria do encontro. A conversa faz parte da tentativa do governo brasileiro de apresentar argumentos contra a taxação e discutir alternativas para reduzir o impacto sobre setores estratégicos.

Uma das possibilidades mencionadas por Durigan é a realização de negociações setoriais. Nesse modelo, Brasil e Estados Unidos poderiam tratar de temas de interesse específico para cada país, buscando compensações ou entendimentos paralelos em áreas sensíveis da relação comercial.

Entre os pontos que poderiam entrar na mesa estão o etanol e a tecnologia de nuvem dos Estados Unidos, além do açúcar e da indústria de aviação brasileira. A estratégia indicaria uma tentativa de transformar a pressão tarifária em uma negociação mais ampla, envolvendo setores de peso na agenda econômica bilateral.

A proposta de taxar importações brasileiras em 25% partiu do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR. A medida foi apresentada como forma de punir o Brasil por supostas práticas “irrazoáveis”, segundo a conclusão de uma investigação aberta pelo governo norte-americano sobre o Pix.

A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado pelos Estados Unidos para avaliar práticas comerciais de outros países consideradas prejudiciais aos seus interesses. Após a divulgação da proposta, o tema seguirá para audiências públicas, etapa em que o assunto será debatido antes de eventuais decisões finais.

Além da tarifa de 25%, há uma segunda medida em discussão. Ela prevê um acréscimo de 12,5% sob a alegação de que o Brasil teria falhado em aplicar uma ação legal para impedir a importação de produtos manufaturados com mão de obra de trabalho forçado.

Esse caso integra uma investigação mais ampla que envolve 54 países. O avanço das medidas preocupa o governo brasileiro porque pode afetar diferentes setores exportadores e ampliar o desgaste nas relações comerciais com Washington.

A reação do governo Lula, conforme as declarações de Durigan, combina diplomacia direta, contatos técnicos e tentativa de negociação por setores. A aposta é evitar que a disputa avance para uma escalada tarifária capaz de prejudicar empresas brasileiras e criar novos obstáculos no comércio entre Brasil e Estados Unidos.

O desfecho dependerá das próximas conversas entre autoridades dos dois países, das audiências públicas nos Estados Unidos e da eventual decisão de Lula de buscar Trump por telefone ou por carta para tratar diretamente do tarifaço.

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