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Lula e chanceler alemão reforçam parceria com foco em comércio, energia limpa e reforma da ONU

Em Hanôver, Lula destacou biocombustíveis, defendeu multilateralismo e cobrou mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas

Lula e chanceler alemão reforçam parceria com foco em comércio, energia limpa e reforma da ONU (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão Friedrich Merz concederam declaração conjunta à imprensa nesta segunda-feira (20), em Hanôver, na Alemanha, durante visita oficial marcada por anúncios de cooperação bilateral, defesa do acordo Mercosul-União Europeia e debates sobre transição energética.

No encontro, Lula e Merz destacaram o fortalecimento da relação estratégica entre os dois países, com novos entendimentos em áreas como defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, bioeconomia, infraestrutura, eficiência energética e pesquisa climática. O evento também marcou a participação do Brasil como país parceiro da tradicional Feira Industrial de Hanôver.

Um dos principais temas abordados por Lula foi o potencial brasileiro na produção de energia renovável. O presidente afirmou que o Brasil quer liderar soluções sustentáveis e criticou resistências europeias aos biocombustíveis.

“Queremos vida e não morte. Queremos pão e não bomba. Queremos educação e não flagelo”, disse Lula.

Ao citar testes realizados na Alemanha com combustível renovável brasileiro em caminhão alemão, Lula disse que o resultado comprova a eficiência ambiental da tecnologia.

“O combustível renovável do Brasil emite bem menos CO2 do que o combustível fóssil”, reforçou.

Segundo o presidente, o uso combinado de petróleo e biocombustíveis pode reduzir impactos ambientais sem comprometer a segurança energética global.

Lula também rejeitou críticas de que a produção de biocombustíveis ameaça áreas agrícolas ou a Amazônia. “Nós temos 40 milhões de hectares de terras degradadas que nós queremos recuperar”, frisa.

Durante a coletiva, Lula ressaltou que Brasil e Alemanha atuaram de forma decisiva para viabilizar o acordo entre Mercosul e União Europeia, após 25 anos de negociações. Segundo ele, o tratado pode abrir uma nova etapa nas relações econômicas entre os blocos.

O presidente afirmou que o acordo reúne um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e movimenta aproximadamente 22 trilhões de dólares em riqueza combinada.

O chanceler Friedrich Merz afirmou que o Brasil é um parceiro estratégico robusto e dinâmico da Alemanha e elogiou o protagonismo brasileiro em energia renovável.

Segundo Merz, a experiência brasileira mostra que a descarbonização não depende de uma única tecnologia. “Isso nos mostra que nós não deveríamos descartar tecnologias que vão se tornar relevantes”, destacou.

Ele também enfatizou a tradição industrial entre os dois países e presenteou Lula com uma miniatura do Fusca, símbolo histórico da cooperação entre Brasil e Alemanha.


Lula critica guerras e cobra reforma da ONU

Outro ponto central da fala de Lula foi a defesa do multilateralismo e a crítica aos conflitos internacionais. O presidente demonstrou preocupação com guerras no Oriente Médio e na Ucrânia e voltou a cobrar mudanças na estrutura das Nações Unidas.

“É preciso renovar o Conselho de Segurança da ONU”, frisou Lula, que questionou a composição atual do colegiado e defendeu a inclusão de países como Brasil, Alemanha, Índia, Japão, Nigéria, Etiópia, Egito e México.

“Não pode ter privilégio dos cinco que tomaram posse do Conselho de Segurança em 1945”, disse.

A ida de Lula à Alemanha incluiu três compromissos principais: participação na Feira de Hannover, reunião intergovernamental de alto nível e encontro econômico Brasil-Alemanha.

Ao fim da coletiva, a mensagem central dos dois líderes foi de aproximação estratégica, defesa da paz e cooperação econômica baseada em inovação e sustentabilidade.

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