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Marcos Coimbra: “a população não tem apreço nem respeito pelas Forças Armadas. Ela tem é medo”

Apesar de ainda serem enxergados como símbolo de uma “continuidade moral”, os militares caíram na rejeição após a intensa aproximação com o governo Bolsonaro e as ameaças golpistas, destaca o sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi à TV 247

Marcos Coimbra: “a população não tem apreço nem respeito pelas Forças Armadas. Ela tem é medo” (Foto: Reprodução | Marcos Corrêa/PR)

247 - O sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, avaliou a evolução da opinião pública sobre as Forças Armadas no Brasil em entrevista à TV 247. Hoje a participação de militares na política é considerada “ruim” pela maioria da população, segundo levantamento do PoderData. Em artigo publicado recentemente, ele traz dados de levantamentos anteriores.

Coimbra destaca que a reprovação vai muito além, com pesquisas mostrando que o verdadeiro sentimento da população é o medo dos militares. “Houve uma confusão. Dizer que são as mais confiáveis, ou estão entre as instituições mais confiáveis, não quer dizer que as Forças Armadas no Brasil sejam queridas pela população, que a população tenha apreço, respeito. Na maior parte das vezes, o que as pesquisas, especialmente as qualitativas, mostram, é que a maioria das pessoas tem é medo, o que está longe de ser um sentimento de afeto”, explicou.

Coimbra afirmou que o apreço pelos militares se deve ao papel institucional e moral das Forças Armadas. Até mesmo após a ditadura, a imagem dos militares como garantidores de uma continuidade moral permaneceu. Contudo, essa percepção foi dramaticamente alterada por conta da proximidade das Forças com o governo Bolsonaro. 

“Os militares brasileiros eram respeitados no que se refere à confiança pelo que elas asseguravam de uma certa continuidade moral. Desde a Proclamação da República, as Forças Armadas procuraram preservar-se sem aventuras ditatoriais. Elas nunca interviram para botar o fulano na presidência da República, ou decretar que beltrano ia ser o ditador, ao contrário de Forças Armadas de outros países da América do Sul. As Forças Armadas institucionalizaram, elas criaram uma espécie de colchão de respeitabilidade até quando estavam intervindo na política. No caso da única intervenção que foi realmente bem-sucedida, que foi a de 64, houve um longo processo de convocação das Forças Armadas para que interviessem. Foi ao cabo desse processo de solicitação, que a imprensa conservadora, as entidades de representação de interesse empresarial e os grandes representantes da elite brasileira fizeram. Eles pediram a intervenção das Forças Armadas, coisa que não acontece hoje”, disse. 

Para o sociólogo, as ameaças golpistas de ministros-generais e membros das Forças Armadas prejudicam a respeitabilidade da própria instituição. “Então, essa respeitabilidade das Forças Armadas passada é essa que está indo embora com esse modo que elas estão não só se aproveitando do poder, como estabelecendo uma relação de permanente ameaça à sociedade”, completou.

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