Marqueteiro de Flávio Bolsonaro acumula dívida de R$ 14,8 milhões com a União
Publicitário Eduardo Fischer, recém-anunciado na equipe de Flávio Bolsonaro, tem nome inscrito na Dívida Ativa e enfrenta questionamentos no PL
247 - O publicitário Eduardo Fischer, anunciado recentemente como consultor estratégico da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), possui uma dívida de R$ 14,8 milhões inscrita na Dívida Ativa da União. As informações foram reveladas pelo jornal Valor Econômico, com base em dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
O CPF de Fischer registra 31 lançamentos na lista de devedores da União, todos efetuados entre maio e junho deste ano. Apenas no último dia 1º de junho, foram incluídos débitos que somam R$ 2,8 milhões.
A apuração mostra ainda que os registros estão relacionados a dívidas de empresas ligadas ao publicitário. Ao todo, pelo menos oito companhias das quais Fischer foi sócio ou dirigente acumulam débitos inscritos que chegam a R$ 56,4 milhões. Atualmente, ele não possui empresas ativas no Brasil.
O caso gerou preocupação entre integrantes da pré-campanha de Flávio Bolsonaro e membros da direção nacional do Partido Liberal. De acordo com a reportagem, dirigentes do partido não tinham conhecimento prévio dos processos e dos débitos vinculados ao novo consultor.
Nos bastidores, aliados passaram a discutir possíveis impactos da situação financeira de Fischer na campanha, inclusive em aspectos operacionais relacionados a pagamentos. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que as dívidas não impedem sua contratação, mas eventuais credores podem buscar medidas judiciais para interceptar recursos recebidos pelo publicitário.
Maior parte dos débitos está ligada à Fischer América
A maior parcela das dívidas está concentrada na Fischer América Comunicação Total, empresa fundada em 1989 e declarada inapta em novembro de 2023. Segundo os registros da PGFN, a companhia aparece como devedora de R$ 45,2 milhões, distribuídos em 36 inscrições realizadas em maio deste ano.
A defesa de Eduardo Fischer sustenta que os problemas financeiros do grupo empresarial decorreram de uma crise de gestão após a venda parcial da empresa para terceiros. Os advogados afirmam que a Procuradoria também buscou responsabilizar sócios pelas dívidas tributárias, o que levou à inclusão do nome do publicitário no cadastro de devedores.
Em nota, o advogado Thiago Xavier declarou que os débitos "se referem às atividades desenvolvidas pelas empresas do grupo e serão discutidos no âmbito do Poder Judiciário, por se tratar de controvérsia de natureza técnico-tributária, comum no ambiente empresarial".
A defesa acrescenta que as empresas vêm negociando acordos e que existe apenas um "pequeno número de ações judiciais" relacionadas à prestação de serviços.
Mudança na comunicação da campanha
A contratação de Fischer ocorreu após mudanças na equipe de comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A reformulação foi motivada por uma crise interna desencadeada pela divulgação de conversas envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo relatos obtidos pelo Valor, a condução da comunicação durante o episódio gerou insatisfação entre aliados, que avaliaram que houve desorganização e demora na definição de uma estratégia de resposta pública.
Um dos participantes das discussões relatou reservadamente: “Ficamos lá na casa, no QG [da pré-campanha], a tarde toda. Toda aquela equipe. Foi uma bateção de cabeça. Eu chamei [o Flávio] depois e falei: Irmão, isso aqui é tua equipe? Com muito respeito.”
Outro aliado descreveu a falta de coordenação durante a reunião:
“Depois de uma hora e meia, eu cheguei e falei: ‘Posso fazer uma pergunta? Quem vai fazer a nota? Quem vai fazer o texto do vídeo? A gente não precisa resolver isso? Porque olha a hora que nós já estamos aqui. Daqui a pouco já tem Jornal Nacional. Vocês estão perdendo tempo discutindo’.”
Após a crise, Flávio Bolsonaro realizou reuniões com profissionais do mercado publicitário em São Paulo para definir uma nova estrutura de comunicação. A escolha de Fischer surpreendeu tanto dirigentes do PL quanto representantes do setor.
Histórico profissional e passivos judiciais
Eduardo Fischer ganhou projeção nacional no mercado publicitário e participou da campanha presidencial de Álvaro Dias em 2018. Naquela eleição, o candidato encerrou o primeiro turno com 0,8% dos votos válidos.
O publicitário, porém, estava afastado do setor desde o fim de 2018, quando a empresa que levava seu nome encerrou as atividades de forma abrupta. Na ocasião, cerca de 100 funcionários ficaram sem receber salários, segundo registros citados pela reportagem.
Apesar das controvérsias, a coordenação da pré-campanha defendeu sua contratação. Em nota, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha, afirmou.
“A coordenação-geral da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro anuncia a chegada do publicitário Eduardo Fischer como consultor estratégico da comunicação. Fischer será responsável pela definição das diretrizes e do posicionamento da campanha. Sócio de Fischer, Alexandre Oltramari assume como marqueteiro da campanha, respondendo pela coordenação de comunicação e marketing.”
Posteriormente, a coordenação reforçou que Fischer atuará como consultor criativo e estratégico, enquanto Alexandre Oltramari exercerá a função de marqueteiro da campanha.
A nota também destacou a experiência do publicitário: “Sua expertise de mais de 30 anos no mercado publicitário, com reconhecimento pela atuação em grandes campanhas.”


