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PL adia contrato com Eduardo Fischer após bloqueios judiciais

Publicitário anunciado na pré-campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta ações trabalhistas e empresas inativas, segundo reportagem do UOL

Eduardo Fischer (Foto: Divulgação)
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247 - O publicitário Eduardo Fischer, anunciado como integrante da equipe de pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL), ainda não terá contrato formalizado com o Partido Liberal em razão de pendências judiciais e financeiras envolvendo suas empresas e contas pessoais. As informações foram publicadas pela colunista Tatiana Farah, do UOL.

Segundo a reportagem, Fischer acumula bloqueios judiciais decorrentes de ações trabalhistas movidas por mais de cem ex-funcionários da antiga agência Fischer América, que encerrou suas atividades em 2018 sem quitar salários e obrigações trabalhistas. Empresas ligadas ao publicitário estariam atualmente canceladas, bloqueadas ou inabilitadas.

Interlocutores ligados ao publicitário afirmaram ao UOL que, neste início de atuação na pré-campanha, Fischer ainda não receberá remuneração. Apesar disso, não houve explicação sobre como funcionariam pagamentos futuros relacionados ao trabalho desenvolvido para o grupo político. Eduardo Fischer tem dito que atuará como conselheiro, enquanto o marqueteiro responsável pela campanha será Alexandre Oltramari.

Ex-funcionários aguardam acordos há anos

A situação reacendeu discussões entre antigos funcionários da Fischer América, que acompanham os processos trabalhistas há vários anos sem receber indenizações. De acordo com a reportagem, os profissionais mantêm grupos de conversa para trocar informações sobre os processos judiciais e passaram a debater novamente o tema após a volta de Fischer ao cenário político.

Um dos ex-funcionários relatou ao UOL que participou de quatro audiências na Justiça do Trabalho e afirmou que os advogados do publicitário nunca aceitaram propostas de acordo. Segundo ele, o valor atualizado da dívida trabalhista em seu caso ultrapassa R$ 300 mil.

As ações judiciais envolvem reclamações individuais e coletivas. Ainda segundo o UOL, os processos ficaram durante anos avançando lentamente na Justiça até que o nome de Fischer voltou a ganhar visibilidade com sua aproximação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.

Dívidas superam R$ 100 milhões

A jornalista Josette Goulart revelou anteriormente que Eduardo Fischer vive atualmente em uma vila de alto padrão no Uruguai. A reportagem também apontou que as dívidas acumuladas pelo conglomerado empresarial ligado ao publicitário ultrapassam R$ 100 milhões, considerando débitos com bancos, fornecedores, empresas de mídia e antigos empregados.

Profissionais do mercado publicitário ouvidos pela coluna afirmaram que a Fischer América perdeu força nos últimos anos de operação. Um empresário do setor declarou que o “canto do cisne” da agência ocorreu em 2017, durante o governo Michel Temer (MDB), quando a empresa era considerada favorita em uma licitação da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), mas acabou desclassificada.

Funcionários da antiga agência relataram que, ao longo de 2018, a empresa deixou de cumprir compromissos financeiros e encerrou as atividades sem efetuar pagamentos aos empregados.

Trajetória de sucesso e fracasso político

Eduardo Fischer construiu uma das trajetórias mais conhecidas da publicidade brasileira desde os anos 1980. A Fischer & Justus, criada ao lado do empresário Roberto Justus, esteve entre as principais agências do país antes do rompimento da sociedade nos anos 1990.

O publicitário assinou campanhas marcantes da propaganda nacional, incluindo a famosa campanha “nº 1”, da Brahma, frequentemente lembrada entre os grandes cases do setor publicitário brasileiro.

Na política, porém, Fischer não alcançou o mesmo desempenho. Em 2018, participou da campanha presidencial de Alvaro Dias, do Podemos. O então candidato terminou a disputa em nono lugar, com cerca de 859 mil votos, o equivalente a 0,8% do total.

Rogério Marinho bancou entrada de Fischer

Segundo apuração do UOL, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, deu “carta-branca” ao senador Rogério Marinho (PL-RN) na condução da pré-campanha e não acompanha diretamente as contratações da equipe.

Ainda de acordo com a reportagem, Marinho foi o responsável por defender a entrada de Eduardo Fischer no grupo político após a saída do publicitário Marcello Lopes. A mudança ocorreu em meio a divergências internas e ao desgaste provocado por escândalos envolvendo áudios atribuídos a integrantes da equipe.

Em nota enviada ao UOL, Rogério Marinho afirmou: “o marqueteiro contratado pela campanha é Alexandre Oltramari”. O senador acrescentou: “Eduardo Fischer atuará como consultor criativo e estratégico, trazendo sua expertise de mais de 30 anos no mercado publicitário, com reconhecimento pela atuação em grandes campanhas. Eventuais disputas judiciais entre Fischer e ex-colaboradores só dizem respeito às partes envolvidas.”

Fontes ligadas à pré-campanha minimizaram o impacto político das ações trabalhistas contra Fischer e afirmaram à reportagem que parte das críticas ao publicitário decorre do que classificaram como “perseguição da imprensa” contra aliados de Flávio Bolsonaro.

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