Banco aciona Justiça por dívida milionária de consultor de marketing de Flávio Bolsonaro
Instituição financeira cobra débito de R$ 114 milhões de Eduardo Fischer e pede à Justiça acesso a eventuais contratos ligados à campanha
247 - O Banco Modal acionou a Justiça para tentar bloquear possíveis pagamentos feitos pelo Partido Liberal (PL) ao publicitário Eduardo Fischer, apontado como consultor estratégico da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo a ação judicial, o banco cobra de Fischer uma dívida estimada em cerca de R$ 114 milhões, valor que inclui juros, correção monetária e multa. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
O Modal afirmou no processo que o publicitário estaria sendo cotado para atuar no marketing eleitoral de Flávio Bolsonaro, função considerada uma das mais bem remuneradas do mercado publicitário brasileiro. Ao pedir o bloqueio dos pagamentos, o banco contestou a alegação apresentada por Fischer de que enfrenta uma "derrocada financeira". Na petição, o Modal afirmou que profissionais sem patrimônio ou em situação de falência não costumam ser contratados para campanhas presidenciais.
"Nenhum publicitário falido, nenhum profissional verdadeiramente sem patrimônio, é convocado para conduzir o marketing de uma das principais candidaturas à Presidência da República em meio à crise reputacional decorrente do caso Master", afirmou o banco na ação.
A instituição financeira também solicitou que o PL e Flávio Bolsonaro sejam obrigados a informar à Justiça os valores do eventual contrato, os cronogramas de pagamento e as fontes responsáveis pelos repasses financeiros. Outro pedido apresentado pelo banco foi a proibição de transferências para contas no exterior vinculadas ao publicitário.
Mudança na campanha
O advogado Fernando Equi Morata, representante de Eduardo Fischer, afirmou que o publicitário não será o responsável pelo marketing político da campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, Fischer atuará apenas como consultor colaborador.
Sobre a dívida, a defesa informou que ainda apresentará contestação no processo. De acordo com o advogado, os problemas financeiros de Fischer decorreram de negociações comerciais nas quais ele figurou como avalista. Ainda segundo a defesa, o publicitário está quitando os débitos "na medida das possibilidades".
Eduardo Fischer é conhecido no mercado publicitário por campanhas como "Brahma número 1" e "A volta do baixinho da Kaiser". Em 2018, participou da campanha presidencial de Álvaro Dias, do Podemos, que obteve pouco mais de 859 mil votos.
A troca no comando da comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ocorreu após a repercussão do áudio enviado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no qual o senador solicita recursos para custear um filme sobre Jair Bolsonaro. Fischer substituirá Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, aliado do pré-candidato.



