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Ministério das Mulheres repudia ataques misóginos e preconceituosos de assessor de Trump às brasileiras

Paolo Zampolli fez declarações ofensivas durante entrevista na Itália e pasta aponta discurso de ódio contra mulheres do Brasil

Paolo Zampolli (Foto: Redes sociais)

247 - O Ministério das Mulheres manifestou repúdio nesta sexta-feira (24) aos ataques do enviado especial para parcerias globais do governo de Donald Trump, Paolo Zampolli, às mulheres brasileiras. Durante entrevista concedida na quinta-feira (23), Zampolli afirmou que brasileiras são "programadas" para causar problemas e utilizou expressões ofensivas ao se referir às mulheres do país. As informações são da CNN Brasil.

Em nota oficial, o Ministério das Mulheres afirmou que as falas representam discurso de ódio e violam princípios de respeito e dignidade. "A misoginia não constitui opinião. Trata-se de manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa. Nesse sentido, o Ministério ressalta que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão."

O governo brasileiro também reiterou compromisso com políticas voltadas à proteção das mulheres e ao enfrentamento de diferentes formas de violência de gênero e raça, incluindo a misoginia. "O Ministério das Mulheres seguirá atuando para assegurar a proteção de meninas e mulheres, bem como na promoção de uma sociedade baseada no respeito, na igualdade e na justiça", diz o comunicado.

Declarações de Zampolli

Na entrevista, Zampolli foi questionado sobre acusações feitas por Amanda Ungaro, ex-modelo brasileira com quem manteve relacionamento por cerca de 20 anos. Ele é acusado de agressões físicas, psicológicas e sexuais, o que nega. "É uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais. Aquela vaca, estávamos juntos, trepava com ela, depois ela também ficou louca", disse.

O enviado também afirmou que mulheres brasileiras seriam "programadas" para causar problemas. "As mulheres brasileiras, mesmo as que estão aqui, são programadas para causar problemas", declarou. Zampolli ainda associou comportamentos à cultura televisiva do país. "Os brasileiros assistem a novelas e são todos um pouco assim. Você já ouviu dizer que as brasileiras enganam todo mundo, né? Não é como se fosse a primeira vez."

Acusações de agressão

Amanda Ungaro relatou ter sofrido agressões durante o relacionamento, incluindo episódios em que teria sido atingida no rosto ao recusar relações sexuais. Segundo ela, há registros fotográficos de lesões. A ex-companheira também acusa Zampolli de influenciar o governo dos Estados Unidos para sua deportação, o que teria impedido o contato com o filho do casal.

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