"Não é hora de apresentar nova indicação", defende Múcio após se reunir com Alcolumbre
Ministro da Defesa atua para reaproximar Planalto e Senado depois da rejeição histórica ao nome de Jorge Messias para o Supremo
247 - O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em uma tentativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reduzir a crise política aberta após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi publicada originalmente pelo jornal O Globo.
O encontro ocorreu na residência oficial do Senado e foi interpretado por integrantes do Planalto e aliados de Alcolumbre como o primeiro movimento concreto de reconstrução da relação entre o governo federal e o comando da Casa após a derrota considerada histórica para Lula no plenário do Senado. Messias, atual advogado-geral da União e um dos nomes mais próximos do presidente, teve sua indicação barrada depois de meses de desgaste político.
Em declaração ao O Globo, José Múcio afirmou que o momento exige cautela e redução da tensão política antes de qualquer nova movimentação envolvendo a vaga no STF. “Estive com Alcolumbre sim, ontem. Meu papel foi de averiguar a temperatura. O momento é de apaziguar. Não é hora de apresentar nova indicação, nada, é deixar decantar. Ele vai encontrar Lula, sim, mais para frente”, declarou o ministro.
Governo tenta reconstruir diálogo com Senado
De acordo com interlocutores do Senado, a conversa entre Múcio e Alcolumbre também tratou da necessidade de retomada do diálogo direto entre o presidente Lula e o chefe do Senado após a viagem presidencial aos Estados Unidos. Apesar da sinalização de aproximação, aliados dos dois lados reconhecem reservadamente que o ambiente político ainda permanece distante de uma pacificação completa.
A assessoria de Davi Alcolumbre foi procurada, mas o senador não comentou oficialmente o encontro. Nos bastidores, porém, a reunião foi vista como um gesto político relevante para conter o desgaste entre Executivo e Legislativo.
Integrantes do governo avaliam que a rejeição do nome de Jorge Messias revelou não apenas dificuldades na articulação política do Planalto, mas também consolidou o peso de Alcolumbre nas decisões do Congresso Nacional. A avaliação interna é de que o presidente do Senado ampliou sua capacidade de influência sobre a pauta legislativa e sobre votações estratégicas para o governo.
Esforço de aproximação envolve outros ministros
Além de José Múcio, outros integrantes da equipe ministerial foram acionados para atuar na reaproximação com o Senado. Nesta quarta-feira, Alcolumbre participou de um encontro com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, durante a cerimônia que marcou os 200 anos da Câmara dos Deputados.
O evento marcou o primeiro contato entre os dois após a derrota da indicação de Messias ao STF. Durante a solenidade, Alcolumbre fez elogios públicos ao ministro, destacando a relação institucional entre os Poderes.
Segundo relatos de bastidores, os dois também mantiveram uma conversa reservada durante o encontro. O movimento foi interpretado no governo como mais uma tentativa de restabelecer canais de diálogo após a crise política provocada pela votação no Senado.
Aliados de Lula apontam atuação decisiva de Alcolumbre
Nos bastidores do Planalto, aliados do presidente Lula atribuem a Davi Alcolumbre um papel central na articulação que resultou na rejeição de Jorge Messias. Senadores próximos ao governo afirmam que o presidente do Senado não trabalhou pela aprovação do nome e ainda teria incentivado votos contrários entre parlamentares do MDB, PSD, União Brasil e PP.
Publicamente, no entanto, Alcolumbre negou qualquer atuação para derrubar a indicação do chefe da Advocacia-Geral da União. Apesar disso, o episódio ampliou a tensão política entre o Palácio do Planalto e setores do Senado.
A derrota de Jorge Messias passou a ser tratada dentro do governo como uma das mais significativas dificuldades políticas enfrentadas por Lula em seu atual mandato, especialmente por envolver uma indicação ao Supremo Tribunal Federal, tema considerado prioritário pelo presidente e por sua base política.


