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Nomeação de embaixador dos EUA sem aval prévio de Brasília irrita Itamaraty

Nome enviado por Donald Trump ao Senado sem consulta prévia ao Brasil gerou desconforto no Itamaraty e no Planalto

Nomeação de embaixador dos EUA sem aval prévio de Brasília irrita Itamaraty (Foto: Reprodução/Instagram)
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247 - A indicação do deputado republicano Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil provocou desconforto nos bastidores da diplomacia brasileira. A decisão do governo do presidente Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, de encaminhar o nome ao Senado norte-americano sem consulta prévia a Brasília foi recebida com irritação por integrantes do Itamaraty e do Palácio do Planalto.

De acordo com informações divulgadas pelo portal g1, a escolha de Perez pode abrir uma nova frente de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano está sem embaixador em Brasília desde janeiro de 2025 e agora aguarda a tramitação da indicação no Congresso dos EUA.

Segundo a reportagem, a forma como a nomeação foi conduzida foi interpretada por autoridades brasileiras como um gesto de desconsideração diplomática. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a decisão reforça a percepção de que setores da política externa norte-americana mantêm uma postura crítica em relação à administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Itamaraty avalia cenário diplomático

Fontes ouvidas pelo g1 afirmaram que a nomeação poderá ser analisada com cautela pelo governo brasileiro. Embora a aprovação do Senado dos Estados Unidos seja uma etapa necessária, a posse de um embaixador em outro país também depende da concordância formal do governo anfitrião.

Uma das fontes próximas ao presidente Lula afirmou ao portal que a decisão de Washington poderá influenciar a avaliação de Brasília sobre a autorização para que Perez exerça a função diplomática. Sem esse aval, o indicado não poderá assumir oficialmente o posto no Brasil.

Outra fonte relatou que o assunto ainda não foi debatido diretamente com o presidente brasileiro. Por essa razão, o governo federal ainda não possui uma posição oficial definida sobre a indicação.

Quem é Daniel Perez

Daniel Perez tem 38 anos e ocupa desde 2024 a presidência da Câmara dos Representantes da Flórida. Nascido em Nova York, ele é filho de imigrantes cubanos e se mudou ainda criança para a Flórida, estado onde construiu sua carreira política.

Sua trajetória eleitoral começou em 2017, quando foi eleito pela primeira vez para a legislatura estadual. Desde então, consolidou espaço dentro do Partido Republicano e passou a integrar o grupo de aliados mais próximos de Donald Trump.

O parlamentar é considerado um apoiador fiel do presidente norte-americano e costuma manifestar publicamente seu alinhamento político com a Casa Branca.

Aliança com Trump e disputas no Partido Republicano

Em uma publicação na rede social X, Perez elogiou Trump ao comentar uma homenagem ao presidente norte-americano. Na ocasião, escreveu: "Nosso presidente que remodelou o mundo ao priorizar a paz e rejuveneceu o espírito americano ao lutar pelo bom senso".

Além da proximidade com Trump, Perez também é apontado como adversário político do governador da Flórida, Ron DeSantis. Os dois disputam influência e protagonismo dentro do Partido Republicano no estado.

O indicado para a embaixada em Brasília também tem se destacado pela defesa de posições alinhadas às iniciativas do governo Trump na política externa. Entre elas estão o apoio a medidas contra o governo da Venezuela e a defesa de ações mais incisivas dos Estados Unidos em relação a Cuba.

Possível impacto nas relações bilaterais

A indicação de Daniel Perez ocorre em um momento de atenção nas relações entre Brasília e Washington. A ausência de consultas prévias ao governo brasileiro tornou-se o principal foco das críticas registradas por integrantes da diplomacia nacional.

Embora ainda não exista uma manifestação oficial do presidente Lula sobre o caso, o episódio já mobiliza avaliações internas no Itamaraty e no Planalto sobre os próximos passos da relação bilateral.

A decisão final sobre a nomeação dependerá tanto da aprovação do Senado dos Estados Unidos quanto da autorização formal do governo brasileiro, requisito indispensável para que Daniel Perez assuma a representação diplomática norte-americana no país.

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