Núcleo duro do Ministério da Justiça deve deixar a pasta com Lewandowski
Núcleo duro do Ministério da Justiça deve deixar a pasta com Lewandowski
247 - O núcleo central do Ministério da Justiça e Segurança Pública deve deixar o governo federal junto com o ministro Ricardo Lewandowski. A movimentação envolve secretários que ocupam posições estratégicas na pasta e indica uma mudança relevante no comando da área. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Segundo relatos de pessoas próximas, ao menos dois nomes já comunicaram a intenção de deixar o ministério: o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto e o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo. Ambos fazem parte do grupo mais próximo ao ministro e são considerados peças-chave na condução da política de segurança do governo. Outro integrante do alto escalão que também deve deixar a pasta ainda no primeiro semestre é o secretário de Assuntos Legislativos, Marivaldo Pereira. No caso dele, a saída estaria ligada a planos eleitorais, já que pretende se lançar candidato a deputado federal nas eleições de 2026.
A previsão inicial no Planalto era que Lewandowski deixasse o cargo apenas após a aprovação da PEC da Segurança, proposta de emenda à Constituição que redefine competências da União na área. O texto, no entanto, ainda não tem data para ser apreciado pela Câmara dos Deputados. Interlocutores do governo afirmam que, diante desse cenário, a saída do ministro foi antecipada e pode ocorrer já nesta sexta-feira (9).
Lewandowski estava de férias até o fim da semana, mas decidiu antecipar o retorno e reassumiu as atividades na última segunda-feira (5). A possibilidade de sua saída iminente foi revelada inicialmente pela colunista Mônica Bergamo. Além disso, o ministro solicitou uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana, o que reforçou as suspeitas de que a decisão está prestes a ser formalizada.
Em conversa recente com o presidente, Lewandowski informou que pretendia entregar o cargo. Lula, segundo relatos, pediu que ele permanecesse até o fim de janeiro ou início de fevereiro, para que sua saída coincidisse com a do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dentro de uma reorganização mais ampla do governo.Ricardo Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça em 1º de fevereiro de 2024, após a saída de Flávio Dino, que deixou o cargo para tomar posse como ministro do Supremo Tribunal Federal. Ao assumir a pasta, Lewandowski promoveu uma reorganização interna e nomeou nomes de sua confiança para postos estratégicos, além de manter quadros técnicos já integrantes do ministério.
Na ocasião, ele destacou como prioridades o fortalecimento da segurança pública e o enfrentamento ao crime organizado. Em seu discurso de posse, falou da necessidade de combater organizações criminosas, delitos digitais e milícias, temas que se tornaram centrais de sua gestão.Durante o período à frente do ministério, Lewandowski apresentou um conjunto de propostas voltadas ao combate ao crime organizado. Entre elas estão a PEC da Segurança e o chamado PL Antifacção, ambos em tramitação na Câmara dos Deputados e ainda sem previsão de votação.Antes de assumir o cargo no governo Lula, Lewandowski havia deixado o Supremo Tribunal Federal em abril de 2023, um mês antes de completar 75 anos, idade limite para permanência na Corte. Sua indicação para o ministério enfrentou resistência inicial dentro da própria família. Durante as negociações, o presidente Lula chegou a telefonar diretamente para a esposa do magistrado, Yara de Abreu Lewandowski, pedindo apoio à nomeação.
A saída do ministro, segundo aliados do presidente, foi pactuada há poucos dias e ocorre em meio à percepção de desgaste e cansaço do chefe da pasta. No entorno de Lula, cresce a avaliação de que a área precisa de um novo perfil de comando. Há, entre integrantes do governo, defensores da divisão da atual estrutura em dois ministérios distintos: um da Justiça e outro exclusivo da Segurança Pública. Para esses grupos, falta hoje no governo uma figura de perfil mais combativo para disputar a pauta da segurança pública junto à opinião pública, um tema tradicionalmente dominado por forças políticas de direita, adversárias do presidente.
Apesar disso, integrantes do Palácio do Planalto ponderam que a criação de um Ministério da Segurança Pública só deve avançar após a aprovação da emenda constitucional que trata das competências da União na área, o que mantém o futuro da estrutura ainda em aberto.



