Oruam e familiaraes são considerados foragidos da polícia
Polícia Civil do Rio tenta desarticular esquema de lavagem de dinheiro da facção; mãe e irmão do artista também não foram localizados
247 - Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho colocou o rapper Oruam e familiares no centro de uma investigação sobre lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. De acordo com informações da CNN Brasil, o artista, sua mãe, Márcia Gama, e seu irmão, Lucca Nepomuceno, não foram localizados durante a ação realizada na manhã desta quarta-feira (29) e são considerados foragidos.
A ofensiva tem como foco atingir o braço financeiro da organização criminosa, responsável por ocultar recursos provenientes do tráfico por meio de contas de terceiros e operações que dificultam o rastreamento de bens e valores. Além dos mandados de prisão, agentes cumpriram ordens de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados, situados em bairros da Zona Oeste do Rio, como Jacarepaguá e Barra da Tijuca.
Durante as diligências, a polícia prendeu um homem identificado como Carlos Alexandre Martins da Silva, apontado como operador financeiro ligado a Márcia Gama. Segundo os investigadores, ele teria papel central na movimentação de recursos ilícitos e na ocultação de patrimônio vinculado ao esquema.As apurações também indicam a permanência da influência de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como “Marcinho VP”, pai de Oruam e uma das principais lideranças do Comando Vermelho. Mesmo detido, ele continuaria exercendo papel estratégico na facção, conforme diálogos interceptados que revelam interlocução com outros integrantes, incluindo o criminoso Carlos Costa Neves, o “Gardenal”.
Segundo a Polícia Civil, os recursos arrecadados com o tráfico eram redistribuídos por meio de operadores financeiros e contas em nome de terceiros, com o objetivo de mascarar a origem ilegal do dinheiro e viabilizar a aquisição de bens.Quem é Márcia Gama
Apontada como figura-chave no funcionamento do esquema, Márcia Gama é investigada por atuar como elo entre integrantes do grupo presos e aqueles que permanecem em liberdade. Ela seria responsável por intermediar comunicações e interesses da facção fora do sistema prisional.
A investigada já havia sido alvo de outra operação em março deste ano, quando chegou a ser considerada foragida. Na ocasião, o mandado de prisão foi revogado dias depois, após a concessão de habeas corpus pelo Superior Tribunal de Justiça.A defesa descreve Márcia como servidora concursada, sem antecedentes criminais, e contesta as acusações, afirmando que ela é uma “mulher batalhadora” e mãe de cinco filhos.
A ação desta quarta-feira integra a chamada Operação Contenção, estratégia do governo do estado para conter a expansão territorial do Comando Vermelho e enfraquecer sua estrutura financeira e logística.Segundo dados divulgados pelas autoridades, a operação já resultou em mais de 300 prisões e 136 suspeitos mortos em confrontos. Também foram apreendidas cerca de 470 armas, entre elas 190 fuzis, além de mais de 51 mil munições.


