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Parlamentares criticam promessa de Flávio Bolsonaro de entregar terras raras a interesses estrangeiros

Declarações sobre entrega de minerais estratégicos a interesses externos geram reação e debate sobre soberania nacional

Senador Flávio Bolsonaro 15/01/2026 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - As declarações do senador Flávio Bolsonaro sobre a exploração de terras raras brasileiras por interesses estrangeiros provocaram forte reação entre parlamentares do PT e ampliaram o debate sobre a soberania nacional e o controle de recursos estratégicos. O tema ganhou repercussão após manifestações feitas pelo senador durante agenda nos Estados Unidos.

Deputados da bancada petista classificaram a postura como contrária aos interesses do país e acusaram o parlamentar de sinalizar a entrega de riquezas minerais consideradas essenciais para o futuro econômico e tecnológico do Brasil. As críticas foram expressas publicamente por lideranças do partido, que apontaram riscos à autonomia nacional.

O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou que há continuidade de uma política de entrega de ativos estratégicos. “Tal pai, tal filho, assim como Bolsonaro vendeu refinarias e a BR distribuidora BR – contribuindo para aumentar o preço dos combustíveis –, o Flávio falou com todas as letras que, caso seja eleito, vai entregar nossas riquezas para os Estados Unidos”, declarou. Ele também questionou: “que tipo de patriota é esse que vai para um outro país prometer terras raras e minerais críticos para outra nação explorar?”

Para Uczai, os minerais têm papel central na economia global contemporânea. “Esses minerais que se tornaram essenciais são uma riqueza fundamental que posiciona o Brasil estrategicamente nessa nova economia mundial e é por isso que devem ser protegidos para gerar riqueza para o nosso povo, para o nosso país, para o Brasil e não para os Estados Unidos. Patriota de verdade não coloca a pátria à venda”, afirmou.

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (CE), também criticou duramente a postura do senador. “Flávio Bolsonaro não será candidato a presidente da República, mas candidato a gerente de negócios dos bilionários dos Estados Unidos no Brasil”, disse. Ele acrescentou: “Isso é gravíssimo! Não vamos permitir que esse traidor da pátria continue a enganar, manipular, nas redes sociais, brasileiras e brasileiros de boa-fé, enquanto articula intervenção de um país estrangeiro nas eleições no Brasil”.

O deputado Lindbergh Farias (RJ) classificou a atitude como “gravíssima” e afirmou: “Traidor da Pátria igual Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro. Não podemos deixar essa turma fazer do Brasil colônia dos norte-americanos”. Segundo ele, o senador teria assumido o papel de “marionete de Trump” ao atuar contra interesses nacionais.

Na mesma linha, o deputado Carlos Zarattini (SP) afirmou que a atuação da família Bolsonaro no exterior representa um movimento político contrário ao país. “Foram capazes de prestar continência aos americanos e ainda prometem entregar as terras raras. Flávio é entreguista, um vendilhão da Pátria, como todo o clã Bolsonaro!”, declarou.

Outros parlamentares reforçaram as críticas. Para João Daniel (SE), a proposta implica perda de soberania: “Colocar recursos do povo brasileiro à disposição de interesses estrangeiros não é defender o país, é abrir mão da nossa soberania e afundar os brasileiros na miséria”. Já Kiko Celeguim (SP) afirmou: “Isso não é patriotismo. É abrir mão da nossa soberania. Estamos falando aqui de gente disposta a negociar o Brasil por apoio de fora”.

O deputado Rogério Correia (MG) também criticou o alinhamento com interesses externos. “Não representa o Brasil, representa interesses de fora. Coloca Amazônia, minerais e riquezas nacionais na prateleira dos estrangeiros e age como peça de um projeto de submissão”, disse.

As terras raras citadas no debate correspondem a um grupo de 17 elementos químicos essenciais para tecnologias de ponta, como motores elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos aeroespaciais. Embora não sejam necessariamente escassas, sua exploração exige processos complexos e investimento tecnológico.

O Brasil possui reservas relevantes desses minerais, com ocorrências em estados como Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, além de áreas na Amazônia e no Nordeste. Esses recursos são considerados estratégicos no contexto da transição energética e da disputa global por insumos tecnológicos.

No campo legislativo, propostas têm sido apresentadas para ampliar o controle nacional sobre esses recursos. Um projeto em tramitação prevê a criação de uma reserva nacional de terras raras, com planejamento estatal da exploração e definição centralizada de autorizações e concessões. A iniciativa busca garantir que a utilização desses minerais atenda aos interesses estratégicos do país.

O debate ocorre em meio ao aumento do interesse global por terras raras e ao avanço de estudos governamentais voltados à formulação de uma estratégia nacional para o setor mineral, considerado chave para o desenvolvimento econômico e tecnológico nas próximas décadas.

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