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PF aponta dono da Choquei como operador de mídia em esquema bilionário de lavagem

PF aponta que Raphael Sousa recebia valores para promover artistas, apostas e gerenciar crises em grupo suspeito de lavar mais de R$ 1,6 bilhão

Influenciador Raphael Sousa (Foto: Reprodução/Redes Sociais )

247 - O criador da página “Choquei”, Raphael Sousa, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (15), suspeito de atuar como operador de mídia em um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo, com base em dados da investigação conduzida pelas autoridades federais.

De acordo com a Polícia Federal, o influenciador digital teria recebido altos valores para divulgar conteúdos favoráveis a artistas, promover plataformas de apostas e rifas, além de atuar na gestão de crises de imagem relacionadas às investigações envolvendo o grupo criminoso.

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Narco Fluxo, que também teve como alvos os artistas MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do empresário e influenciador Chrys Dias. A ação busca desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar recursos ilícitos no Brasil e no exterior, inclusive por meio de criptoativos, com apoio da Polícia Militar de São Paulo.

Segundo as investigações, o grupo operava um esquema estruturado de lavagem de capitais, utilizando transações financeiras de grande volume, transporte de dinheiro em espécie e movimentações com ativos digitais. O montante investigado ultrapassa R$ 1,6 bilhão em um período de dois anos.

O delegado regional de Polícia Judiciária Marcelo Maceira destacou o papel estratégico de figuras públicas nesse tipo de operação. “Essas pessoas públicas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos. Então eles são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações, por essa estrutura de lavagem”, afirmou.

Ainda segundo o delegado, os recursos ilícitos têm origem em atividades como tráfico de drogas, apostas e rifas ilegais, sendo posteriormente “lavados” por meio de pagamentos disfarçados de publicidade. Esse mecanismo permitiria aos investigados adquirir bens de alto valor e ostentar nas redes sociais.

As apurações também indicam que o esquema utilizava empresas de pagamento legalmente constituídas para viabilizar a circulação dos valores, distribuindo os recursos por meio de contas intermediárias e pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”.

Marcelo Maceira também relacionou parte dos valores ao tráfico de drogas e à atuação de facções criminosas. “Quando a gente fala em dinheiro que vem do tráfico de drogas, a gente fatalmente vai chegar em facções criminosas. [...] A investigação demonstra isso, que parte do dinheiro que foi captado e depois despejado nessa estrutura é oriundo do tráfico de drogas”, disse.

No chamado núcleo artístico, MC Ryan SP foi identificado como “líder e beneficiário econômico da engrenagem”. Já MC Poze do Rodo e outros investigados aparecem vinculados a empresas e estruturas financeiras associadas à circulação de recursos provenientes de rifas digitais e apostas.

Ao todo, mais de 200 policiais federais cumprem 84 mandados judiciais, sendo 45 de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos. Até o momento, 33 mandados de prisão foram executados em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de bens, além de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar valores para eventual ressarcimento. Durante as ações, foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, documentos, equipamentos eletrônicos e até um fuzil.

Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em nota, a defesa de MC Poze do Rodo informou que “desconhece os autos ou teor do mandado de prisão” e que, após acesso ao conteúdo, irá se manifestar na Justiça para buscar o restabelecimento da liberdade do artista e prestar esclarecimentos.

A Operação Narco Fluxo é um desdobramento de investigações anteriores, como a Operação Narcobet, no fim de 2025, e a Operação Narcovela, deflagrada em abril do mesmo ano. Segundo a Polícia Federal, o caso teve início após a apreensão de drogas em um veleiro, em 2023, o que deu origem às apurações que avançaram até o atual esquema bilionário.

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