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PF suspeita de doações de Deolane ao Instituto Neymar

Influenciadora teria feito doação após receber dinheiro de MC Ryan, preso nesta semana

Deolane Bezerra (Foto: Divulgação)

247 - A Polícia Federal investiga transferências financeiras que envolvem a influenciadora Deolane Bezerra, o cantor MC Ryan SP e o Instituto Projeto Neymar Jr, em meio a suspeitas de lavagem de dinheiro e uso de doações para fins de imagem. A análise integra a Operação Narco Fluxo, que apura um suposto esquema bilionário com ramificações em diferentes estados brasileiros.

As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles, com base em documentos da investigação federal que apontam movimentações consideradas atípicas entre os envolvidos. Segundo a apuração, Deolane teria atuado como uma “conta de passagem”, recebendo recursos e repassando valores a terceiros, incluindo a ONG vinculada ao jogador Neymar.

Fluxo financeiro sob suspeita

De acordo com a PF, a influenciadora movimentou cerca de R$ 5,3 milhões em um período de 47 dias, entre 14 de maio e 30 de junho de 2025. Nesse intervalo, foram identificadas operações como o recebimento de R$ 430 mil de uma produtora ligada a MC Ryan e o envio de R$ 1,16 milhão ao Instituto Neymar Jr, além de R$ 1,1 milhão transferidos para uma empresa de blindagem de veículos.

Os investigadores destacam que o jogador Neymar e o instituto não são alvos da operação. Ainda assim, os repasses chamaram a atenção por seu volume e pela rapidez com que os valores transitavam entre contas.

Em relatório, a PF afirmou que “há indícios de que esta transação configure uma evidência material do vínculo financeiro direto entre os dois investigados”. O documento também aponta que o fluxo financeiro da produtora de MC Ryan “irriga também as contas de aliados estratégicos que enfrentam investigações similares por lavagem de dinheiro e associação criminosa”.

Indícios de ausência de justificativa comercial

A investigação sustenta que a transferência de R$ 430 mil não apresenta justificativa comercial clara. “Em suma, a transferência de R$ 430 mil não aparenta ter justificativa comercial ordinária de prestação de serviços, mas robustece a tese de que Deolane e MC Ryan SP compartilham um ecossistema financeiro comum”, registra a representação policial.

Outro ponto destacado é a forma como os valores eram movimentados. Segundo a PF, grandes quantias eram creditadas e rapidamente transferidas, o que poderia dificultar o rastreamento de recursos.

Suspeita de “limpeza de imagem”

Sobre os repasses ao Instituto Neymar Jr e à empresa de blindagem, a Polícia Federal considera que as operações podem indicar tentativa de melhorar a imagem pública. “Essas operações sugerem o uso da liquidez financeira para aquisição de bens de alto valor e ações de limpeza de imagem”, aponta o documento.

A investigação também menciona que Deolane já é alvo de apurações relacionadas a crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro por meio de rifas digitais. Para a PF, o recebimento de recursos da produtora de MC Ryan reforça a hipótese de circulação de capitais ilícitos entre pessoas físicas e jurídicas do grupo.

Operação Narco Fluxo

A operação mobilizou mais de 200 policiais federais, que cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e o Distrito Federal.

MC Ryan SP foi preso sob acusação de chefiar e ser um dos principais beneficiários de um esquema de lavagem de dinheiro. Outros nomes também foram detidos, como MC Poze do Rodo, Raphael Sousa, responsável pela página Choquei, e o casal de influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão.

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de 77 alvos, entre pessoas físicas e empresas. O valor foi estimado com base em supostos lucros obtidos com atividades ilícitas, incluindo tráfico internacional de drogas e movimentações financeiras identificadas pelo Coaf.

Defesas se manifestam

Em nota, a defesa de MC Ryan afirmou não ter acesso ao processo, mas declarou confiar que os esclarecimentos comprovarão a regularidade das operações. “Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada”, diz o texto.

Os advogados de MC Poze informaram desconhecer o teor da investigação e afirmaram que irão se manifestar na Justiça após acesso aos autos.

Já a defesa de Raphael Sousa declarou que sua relação com os fatos se limita à prestação de serviços publicitários. Segundo o advogado Pedro Paulo de Medeiros, “Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada”.

A defesa de Chrys Dias e Débora Paixão informou que só irá se pronunciar nos autos, em razão do sigilo judicial, e criticou o vazamento de imagens. “Repudiamos os vazamentos de imagens que violaram a privacidade da família e a presunção de inocência, reiterando nossa confiança na Justiça”, diz a nota.

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