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Planalto orienta ministros a evitar comentários sobre ação da PF contra Ciro Nogueira

Governo Lula teme desgaste com o Congresso após operação autorizada pelo STF atingir senador do PP e gerar reação da oposição

Ciro Nogueira (Foto: Agência Senado )

247 - O Palácio do Planalto orientou ministros e integrantes do governo federal a evitarem manifestações públicas sobre a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI). A preocupação da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é impedir novos atritos com o Congresso Nacional e evitar que a oposição utilize o episódio para acusar o governo de promover retaliações políticas.

As informações foram publicadas originalmente pelo jornal O Globo. Segundo a reportagem, a recomendação foi transmitida de maneira informal logo nas primeiras horas desta quinta-feira (7), com a orientação para que ministros não comentem o caso nem em entrevistas nem nas redes sociais.

A cautela do governo ocorre poucos dias após a rejeição, pelo Senado Federal, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), considerada a principal derrota política do Palácio do Planalto no Congresso neste ano. Integrantes do governo avaliam que declarações públicas sobre a operação poderiam alimentar a narrativa da oposição de que a ação da PF seria uma forma de revanche institucional.

Operação foi autorizada por André Mendonça

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro. A medida foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça.

Na decisão, Mendonça apontou indícios de que o senador seria o “destinatário central” de vantagens financeiras supostamente pagas pelo empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A investigação cita uma série de benefícios econômicos considerados suspeitos pelos investigadores.

Entre os elementos apontados pela PF estão a participação societária em empresa por valor abaixo do mercado, pagamentos mensais de R$ 300 mil, além do uso de um imóvel ligado ao empresário como se fosse patrimônio do senador.

PF aponta viagens e despesas pagas

Os investigadores também mencionam o custeio de viagens internacionais, incluindo despesas com hospedagens, restaurantes e voos privados. As suspeitas fazem parte do conjunto de provas reunidas pela Polícia Federal e encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal.

Dentro do governo federal, a avaliação é que o silêncio público ajuda a preservar a atuação institucional da Polícia Federal e reduz o risco de acusações sobre eventual uso político das investigações contra adversários do governo.

Auxiliares do presidente Lula afirmam ainda que a estratégia busca evitar o agravamento das tensões com parlamentares do Centrão, grupo político que mantém forte influência no Congresso e do qual Ciro Nogueira é uma das principais lideranças.

Lula evita tratar do tema durante viagem aos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está nos Estados Unidos para uma reunião com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, na Casa Branca. Segundo integrantes do governo, Lula não pretende abordar espontaneamente a operação envolvendo Ciro Nogueira durante sua agenda internacional.

A expectativa no Planalto é que, caso seja questionado por jornalistas após o encontro com Trump, o presidente faça comentários breves e evite emitir opiniões sobre a investigação conduzida pela Polícia Federal.

A orientação adotada pelo governo ocorre em meio à tentativa de reduzir desgastes políticos após a derrota sofrida no Senado e preservar a relação institucional com o Congresso Nacional em um momento considerado delicado para a articulação política do Planalto.

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