Primo de Daniel Vorcaro fugiu em carrinho de golfe antes da PF
Relatório da Polícia Federal aponta que Felipe Vorcaro deixou imóvel minutos antes de operação sobre suposta fraude bilionária no Banco Master
247 - A Polícia Federal apontou que Felipe Cançado Vorcaro, primo do empresário Daniel Vorcaro, deixou às pressas uma residência em um carrinho de golfe poucos minutos antes da chegada dos agentes federais durante uma operação realizada em 14 de janeiro deste ano. A informação consta no pedido de prisão temporária cumprido nesta quarta-feira (7/5).
Segundo reportagem publicada pelo UOL, a saída ocorreu por volta das 5h da manhã, quando a PF dava cumprimento à segunda fase da operação Compliance Zero, investigação que apura um suposto esquema de fraude bilionária envolvendo o Banco Master, instituição ligada a Daniel Vorcaro.
De acordo com trecho do relatório da Polícia Federal, a atitude foi interpretada como uma tentativa de impedir o avanço das investigações. “Conduta indicou intenção de frustrar a atuação estatal e comprometer a colheita probatória, o que torna a medida [prisão preventiva de Felipe] imprescindível”, afirma o documento da PF.
PF vê tentativa de ocultação de provas
Outro elemento utilizado pelos investigadores para justificar o pedido de prisão foi o afastamento de Felipe Vorcaro da presidência da Green Investimentos S.A. A empresa é apontada pela investigação como possível estrutura utilizada para o recebimento de propinas destinadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Segundo a Polícia Federal, a saída de Felipe do cargo ocorreu um dia após a primeira fase da operação Compliance Zero, deflagrada em 19 de novembro de 2025. Para os investigadores, a mudança teria relação com uma tentativa de ocultar sua posição dentro do esquema investigado.
No pedido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF afirma que os movimentos do investigado demonstram possível acesso antecipado a informações sigilosas sobre as ações policiais.
Investigadores apontam acesso privilegiado
“Tais comportamentos denotam, em juízo perfunctório, o potencial acesso do investigado a informações privilegiadas, que o permitem se evadir de determinado local minutos antes da abordagem policial (segunda fase) e adotar providências buscando ocultar a relevância da sua real posição no esquema delitivo (primeira fase)”, diz a Polícia Federal no pedido de prisão.
O relator do caso no STF, ministro André Mendonça, também se manifestou sobre a necessidade da medida cautelar. Em sua decisão, o magistrado considerou a prisão temporária adequada diante do andamento das investigações.
“Em tal cenário, a prisão temporária (...) revela-se adequada, necessária e proporcional, devendo o investigado Felipe Cançado Vorcaro ficar custodiado pelo prazo de cinco dias, resguardada a possibilidade de reapreciação judicial, de acordo com a evolução das diligências investigatórias que ensejam seu acautelamento provisório”, escreveu o ministro.
Operação investiga pagamentos de propina
A operação Compliance Zero investiga suspeitas de fraudes financeiras e pagamentos de propina ligados ao Banco Master. Conforme a apuração, Felipe Vorcaro atuaria como operador responsável por pagamentos ilícitos dentro do esquema investigado.
A Polícia Federal segue apurando a existência de uma rede de favorecimentos financeiros e possível lavagem de dinheiro envolvendo empresas e operadores ligados ao caso. Até o momento, as investigações permanecem sob sigilo parcial no Supremo Tribunal Federal.


