Prefeito catarinense critica candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado pelo estado: “balcão de negócios”
Leonel Pavan diz que Santa Catarina não pode virar balcão eleitoral
247 - O prefeito de Camboriú (SC), Leonel Pavan (PSD), fez duras críticas à candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado por Santa Catarina. Ex-vereador do Rio de Janeiro por sete mandatos consecutivos, Carlos renunciou ao cargo em dezembro e transferiu o domicílio eleitoral para o estado, com a intenção de disputar uma das vagas ao Senado nas eleições deste ano.
Para Pavan, a movimentação representa um desrespeito à política local e ao eleitorado catarinense. “Acho uma loucura o que o PL está fazendo em Santa Catarina. Trazer um vereador lá do Rio só para ser candidato, como se nós fôssemos um balcão de negócios, que vai por emoção, eu acho uma loucura”, afirmou o prefeito em entrevista divulgada na quinta-feira (15).
O prefeito ressaltou que, apesar das críticas, a definição da candidatura cabe ao partido. “A decisão é deles”, disse. Na mesma declaração, Pavan condenou o atual ambiente político, marcado, segundo ele, por um alto grau de radicalização, que classificou como uma “ignorância enorme”.
Leonel Pavan tem trajetória consolidada na política catarinense. Foi vice-governador de Santa Catarina entre 2007 e 2010 e chegou a assumir interinamente o governo do estado após a renúncia do então governador. Ele também é pai da prefeita de Balneário Camboriú, município onde Jair Renan Bolsonaro, irmão de Carlos, exerce seu primeiro mandato como vereador.
As críticas à candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não se restringem a Camboriú. Outros prefeitos catarinenses consideraram a transferência do domicílio eleitoral do ex-vereador para São José, cidade da Grande Florianópolis com cerca de 270 mil habitantes, um movimento de “oportunismo” político.
A entrada de Carlos Bolsonaro na disputa também abriu um foco de tensão dentro do próprio campo bolsonarista no estado. Havia um acordo de bastidores para uma chapa ao Senado formada pela deputada federal Caroline De Toni (PL) e pelo senador Esperidião Amin (PP). O plano, no entanto, enfrentou resistência do governador Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição e evita concentrar as duas vagas em nomes do próprio partido, o que poderia dificultar alianças com outras legendas.
Em meio ao impasse, Caroline De Toni chegou a ameaçar deixar o PL e migrar para o partido Novo. Mesmo com as divergências internas, um levantamento divulgado no início de janeiro apontou Carlos Bolsonaro na liderança dos cenários em que seu nome foi testado. Amin e De Toni aparecem em disputa pela segunda colocação, enquanto, no campo da esquerda, Décio Lima (PT) surge como o nome mais competitivo.


