PT amplia ofensiva e mira Flávio e Eduardo Bolsonaro após caso Master
Estratégia petista usa reportagens sobre Banco Master e filme de Jair Bolsonaro para desgastar aliados do ex-presidente nas redes sociais
247 - O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu intensificar os ataques políticos contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ampliar a ofensiva também para Eduardo Bolsonaro, em meio às revelações sobre o financiamento do filme biográfico Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal Intercept Brasil e repercutidas pelo Metrópoles.
Segundo as reportagens, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões para financiar o longa-metragem. Os recursos, conforme revelado, teriam sido solicitados por Flávio Bolsonaro. O contrato da produção também aponta Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo da obra, ao lado do deputado federal Mario Frias (PL).
A movimentação elevou a pressão política sobre os filhos do ex-presidente e colocou a pré-candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto no centro de uma crise. Paralelamente, a Polícia Federal investiga se parte dos recursos ligados ao projeto teria sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele reside desde março de 2025.
PT aposta em desgaste político da família Bolsonaro
Dirigentes petistas afirmam que não houve orientação direta do Palácio do Planalto para o início da ofensiva. A estratégia, segundo integrantes da legenda, foi construída internamente e faz parte da linha adotada pelo partido de manter críticas permanentes ao principal grupo político de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar da escalada dos ataques, o PT busca evitar excessos no discurso público. A orientação predominante é utilizar reportagens já publicadas pela imprensa como base das críticas, sem acrescentar adjetivações ou acusações próprias. A avaliação interna é que a reprodução de informações divulgadas por veículos jornalísticos fortalece a credibilidade da estratégia política.
Ao mesmo tempo, o partido também aposta em conteúdos produzidos para viralização nas redes sociais. Um dos exemplos foi um jingle divulgado após a revelação das mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Produzida com inteligência artificial e em ritmo de forró, a peça faz referência ao caso das rachadinhas e termina com o bordão “Sai pra lá, Bolsonarinho”.
PF investiga uso de recursos nos Estados Unidos
As investigações da Polícia Federal também apuram se valores relacionados ao financiamento do filme foram destinados a ações de lobby contra autoridades brasileiras nos Estados Unidos. Segundo o Metrópoles, investigadores avaliam possíveis articulações com integrantes do governo do presidente Donald Trump, atual chefe da Casa Branca.
A suspeita levantada pelos investigadores é de que recursos ligados ao projeto cinematográfico possam ter sido usados em ações políticas e institucionais fora do Brasil. O caso passou a ser explorado pelo PT como uma oportunidade de enfraquecer o campo bolsonarista às vésperas da disputa presidencial.
Nos bastidores do partido, a avaliação é de que o envolvimento simultâneo de Flávio e Eduardo Bolsonaro no episódio pode ampliar o desgaste da família e atingir diretamente a tentativa do ex-presidente Jair Bolsonaro de consolidar um herdeiro político para a eleição presidencial.
Centrão avalia alternativas para 2026
Enquanto a crise se aprofunda, setores do Centrão e do mercado financeiro já discutem alternativas para a disputa presidencial de 2026. Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, há articulações em torno de uma possível chapa formada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Flávio Bolsonaro, porém, rejeita qualquer hipótese de substituição. Em entrevista ao Metrópoles, o senador afirmou categoricamente: “Michelle não será candidata”.
Mesmo assim, integrantes do PT acreditam que ainda é cedo para prever uma eventual desistência de Flávio. A leitura interna é que a decisão final dependerá diretamente do ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue como principal liderança do grupo político conservador.
Contrato do filme cita Eduardo Bolsonaro
O Intercept Brasil revelou que teve acesso ao contrato da produção de Dark Horse, firmado em novembro de 2023 e assinado por Eduardo Bolsonaro em janeiro de 2024. O documento coloca a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como responsável pela produção do filme.
Além de Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Mario Frias aparece como produtor-executivo do projeto. Segundo o contrato, ambos teriam atribuições relacionadas à gestão financeira e ao orçamento da produção cinematográfica.
Após a divulgação das informações, Eduardo Bolsonaro negou que tenha administrado os recursos milionários do projeto. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que sua participação inicial envolveu recursos próprios destinados ao desenvolvimento do roteiro.
“Peguei R$ 350 mil, transformei em cerca de US$ 50 mil e mandei para os Estados Unidos para garantir o contrato com um diretor de Hollywood”, declarou.
Eduardo e Flávio negam irregularidades
Eduardo Bolsonaro também acusou o Intercept Brasil de promover um “vazamento seletivo” para prejudicar politicamente sua família. Segundo ele, o objetivo seria atingir a imagem de Flávio Bolsonaro. “O Intercept está fazendo um vazamento seletivo, algo criminoso para tentar assassinar a reputação do Flávio Bolsonaro, porque ele lidera as pesquisas para presidente”, afirmou.
Já Flávio Bolsonaro sustenta que o aporte financeiro para o filme ocorreu de forma regular e privada. Segundo ele, o projeto cinematográfico trata da história de seu pai e não possui qualquer irregularidade. “Foi tudo para tratar sobre o filme, não vai ter surpresinha”, declarou o senador em entrevista à CNN. Flávio também negou proximidade pessoal com Daniel Vorcaro. “Nunca viajei com ele, não tinha convívio social com ele. Minha conexão foi estritamente para o investimento do filme”, afirmou.



