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Quem é Antonio Carlos Freixo Junior, CEO da Entrepay liquidada pelo BC

Executivo teve bens bloqueados após Banco Central decretar liquidação do conglomerado financeiro por irregularidades e fragilidade econômica

Antônio Carlos Freixo Júnior, fundador e CEO do Grupo Entre (Foto: Divulgação/Grupo Entre)

247 - O Banco Central (BC) decretou, na sexta-feira (27), a liquidação extrajudicial do conglomerado da Entrepay e determinou a indisponibilidade de bens de seu CEO, Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. A decisão foi tomada após a identificação de problemas financeiros e descumprimento de normas regulatórias.

As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Em nota, o BC afirmou que a medida ocorreu devido ao “comprometimento da situação econômico-financeira da instituição líder do conglomerado, bem como por infringência às normas que disciplinam sua atividade e por prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores”.

A liquidação atinge três empresas: Entrepay Instituição de Pagamento S.A., Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A. e Octa Sociedade de Crédito Direto S.A.

Trajetória de Antonio Carlos Freixo Junior

Antonio Carlos Freixo Junior é formado em Administração de Empresas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Segundo seu perfil profissional, ele iniciou a carreira em 1983, como operador de crédito rural no extinto Banco Nacional.

Ao longo de sua trajetória, passou por instituições como Banco do Brasil, Banco Garantia e Credit Suisse, acumulando experiência no sistema financeiro.

Em 2016, fundou o Grupo Entre, com foco em meios de pagamento, serviços digitais e soluções financeiras. A empresa afirma reunir mais de 100 clientes e administrar cerca de R$ 1,3 bilhão em fundos de investimento.

Criação da Entrepay e expansão dos negócios

Em 2022, Freixo criou a Entrepay, voltada ao setor de pagamentos, após adquirir a Global Payments. Apesar da expansão, o conglomerado tinha participação reduzida no sistema financeiro: em dezembro de 2025, representava cerca de 0,009% dos ativos totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

No mesmo ano, o empresário venceu o leilão de recuperação judicial dos ativos digitais da Editora Três por R$ 15 milhões, assumindo o controle dos portais IstoÉ e IstoÉ Dinheiro.

O Grupo Entre também possui outros negócios, como a plataforma Ola Podcast e as empresas Pmovil e VitalLink.

Declaração do grupo e desdobramentos

Em nota, o Grupo Entre afirmou que já conduzia um processo estruturado de descontinuação das operações das empresas atingidas, dentro de uma “revisão estratégica de seu portfólio de negócios”.

A companhia declarou ainda: “O Grupo Entre reafirma seu compromisso com a colaboração integral com as autoridades competentes, prestando todos os esclarecimentos necessários e acompanhando os desdobramentos do processo de liquidação dentro dos canais institucionais apropriados, de forma também a mitigar impactos a clientes, parceiros e demais públicos relacionados”.

Segundo o grupo, as demais operações seguem em funcionamento normal. A defesa de Freixo não foi localizada.

Investigações e suspeitas

Autoridades brasileiras investigam possíveis relações entre a Entrepay e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que comandava o extinto Banco Master. De acordo com informações obtidas pelo Estadão, há suspeitas de que Vorcaro atuaria como “dono oculto” da empresa.

Freixo também foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura vínculos entre instituições financeiras. Além disso, ele e Vorcaro respondem a processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por supostas irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos de investimento fechados. Em dezembro, a CVM rejeitou uma proposta de acordo apresentada no caso.

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