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Quem é o dono de bets que deu 'carona' para Hugo Motta e Ciro Nogueira em voo que gerou investigação da PF

Caso envolvendo Fernandin OIG, Hugo Motta e Ciro Nogueira foi enviado ao STF após indícios de irregularidades em voo internacional

Fernando Oliveira Lima, o Fernandin OIG, disse controlar uma holding de empresas de jogos on-line (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

247 - O empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, passou a ser investigado pela Polícia Federal após um voo internacional em seu jatinho levantar suspeitas sobre a entrada de bagagens no Brasil sem fiscalização adequada. As informações são do jornal O Globo.

Dono da empresa One Internet Group e atuante no setor de apostas online, Fernandin costuma exibir nas redes sociais uma rotina de luxo, com viagens internacionais e encontros com empresários e celebridades. Uma dessas viagens, partindo da ilha caribenha de São Martinho com destino a São Roque (SP), acabou chamando a atenção das autoridades.

Entre os passageiros do voo estavam o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira. A investigação foi aberta após a constatação de que volumes transportados na aeronave não passaram pelo equipamento de raio-x no desembarque, o que levantou suspeitas sobre possível entrada irregular de itens no país.

De acordo com a Polícia Federal, imagens do aeroporto mostram que um tripulante da aeronave passou com malas, sacolas e uma caixa por fora do sistema de inspeção. Apesar disso, os investigadores ressaltam que "não é possível afirmar categoricamente a quem os volumes pertencem ou seu conteúdo".

O caso foi inicialmente apurado como possível prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho por parte de um auditor fiscal. No entanto, diante da presença de autoridades com foro privilegiado no voo, o processo foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, onde ficará sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Em manifestação enviada ao processo, o Ministério Público Federal apontou que, com base nas evidências reunidas até o momento, "não é possível descartar a possibilidade de envolvimento de um ou mais parlamentares nos delitos sob apuração".

Procurado, Hugo Motta afirmou que seguiu todas as normas legais durante o desembarque. Já Ciro Nogueira não se manifestou até o momento. Outros parlamentares que estavam no voo, como os deputados Isnaldo Bulhões e Dr. Luizinho, também não comentaram o caso.

O empresário Fernandin OIG já havia sido alvo de investigações anteriores. Ele chegou a ser citado na CPI das Bets, instaurada no Senado em 2024 para apurar irregularidades no setor de apostas. Na ocasião, houve pedido de indiciamento por exploração ilegal de jogos de azar, mas o relatório final da comissão foi rejeitado.

Além disso, reportagens anteriores apontaram conexões do empresário com figuras políticas e transferências financeiras investigadas. Em um dos episódios, o senador Ciro Nogueira afirmou que valores recebidos por um ex-assessor estavam relacionados à venda de um relógio.

Enquanto a investigação avança no STF, o caso reacende discussões sobre a relação entre empresários do setor de apostas e agentes públicos, além de levantar questionamentos sobre falhas em procedimentos de fiscalização em aeroportos executivos no país.

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