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Reportagem do Metrópoles aponta suposta delação contra filho do presidente Lula

Ex-dirigentes do INSS estariam negociando colaboração premiada e teriam citado Lulinha e políticos em investigação sobre descontos ilegais

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha (Foto: Reprodução)

247 - Dois ex-integrantes da cúpula do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estariam em fase avançada de negociação de acordos de delação premiada no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga descontos ilegais em aposentadorias. Segundo Andreza Matais, do Metrópoles, os ex-dirigentes teriam citado o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, além de políticos que supostamente estariam ligados ao esquema investigado. Entre os nomes mencionados estaria o da ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do governo Jair Bolsonaro (PL), Flávia Péres, ex-Flávia Arruda. É a primeira vez que o nome dela aparece associado ao caso.

Quanto a Lulinha, em nota enviada ao Brasil 247, a defesa informou ter recebido com “surpresa” o conteúdo originalmente veiculado pelo Metrópoles e criticou: “a matéria não informa nenhum dado concreto sobre o que seria delatado e qual a suposta e alegada participação de Fábio” (leia a íntegra da nota ao final do texto).

Os possíveis delatores seriam o ex-procurador do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios da autarquia André Fidelis, que estão presos desde 13 de novembro. Ambos teriam detalhado o funcionamento do esquema às autoridades.

Virgílio Filho é acusado pela Polícia Federal de ter recebido R$ 11,9 milhões de empresas ligadas a entidades que realizavam descontos irregulares nas aposentadorias. Desse total, ao menos R$ 7,5 milhões teriam origem em empresas vinculadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Os valores, segundo as investigações, teriam sido repassados a empresas e contas bancárias da esposa do ex-procurador, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson.

A Polícia Federal também identificou um aumento patrimonial de aproximadamente R$ 18,3 milhões em nome de Virgílio. Entre as aquisições atribuídas ao ex-procurador e à esposa estaria um apartamento de R$ 5,3 milhões em Curitiba (PR), comprado após ele se tornar alvo da operação. A médica ainda teria reservado um imóvel avaliado em R$ 28 milhões na Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC).

No caso de André Fidelis, os investigadores sustentam que ele teria recebido R$ 3,4 milhões em propina entre 2023 e 2024 para permitir descontos automáticos na folha de aposentados. Fidelis exerceu a Diretoria de Benefícios do INSS nesse período. Segundo o relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ele foi o diretor que mais “concedeu acordo de cooperação técnica (ACT) da história do INSS”. Sob sua gestão, 14 entidades foram habilitadas, responsáveis por descontos que somam R$ 1,6 bilhão.

O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes também estaria preparando proposta de delação premiada. A iniciativa teria ganhado força após familiares do empresário se tornarem alvo das investigações, entre eles o filho Romeu Carvalho Antunes e a esposa, Tânia Carvalho dos Santos. Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS, também foi preso.

A advogada Izabella Borges, que representa Virgílio Oliveira Filho, nega que exista delação em andamento. A defesa de André Fidelis não foi localizada pelo Metrópoles.

Nota da defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha:

São Paulo, 25 de fevereiro de 2026.

Recebemos com surpresa a matéria veiculada no Metrópoles afirmando que um ex-procurador e um ex-diretor do INSS teriam fechado acordo de delação premiada delatando “Fábio Luís Lula da Silva e políticos do centrão”. A matéria não informa nenhum dado concreto sobre o que seria delatado e qual a suposta e alegada participação de Fábio, o que impede qualquer esclarecimento além do fato de que Fábio Luís não conhece esses indivíduos e jamais teve com eles qualquer tipo de relação, financeira, pessoal ou profissional. Fábio não tem relação com as fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa.

As negociações de acordos de delação são sigilosas por previsão legal e jurisprudencial, tornando inverificável a sua existência – factóide que foi negado pela defesa de um dos supostos delatores – e a confirmação de seu conteúdo, que foi meramente mencionado sem apresentação de fatos ou detalhes. A publicação desse dado vazio na véspera de sessão da CPMI que notoriamente vem discutindo medidas relativas a Fábio Luís naquele procedimento será fatalmente utilizada para fins políticos antes de sua confirmação, escancarando a irresponsabilidade de setores com interesses específicos e políticos.

Lamentamos que mais uma vez o nome de Fábio Luís Lula da Silva esteja sendo utilizado indevidamente com interesses escusos, em mais uma tentativa de atingir indiretamente o governo. Todas as afirmações levianas do passado se comprovaram falsas, o que acontecerá também neste caso.

Finalmente, reitero que diante da incessante campanha midiática reproduzindo dados parciais e sigilosos de uma investigação em andamento, entendi ser necessário requerer ao STF acesso à investigação, tendo Fábio se colocado à disposição daquele Tribunal para prestar qualquer esclarecimento eventualmente necessário após ter conhecimento do que existe (ou não existe) naqueles autos – acesso esse que ainda não lhe foi concedido, o que impede qualquer outra manifestação atual, uma vez que trabalhamos com fatos e provas, não com o combate contra conjecturas inverificáveis.

GUILHERME SUGUIMORI SANTOS
OAB/SP 295.675

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