Lula diz que conversou com Lulinha sobre acusações da CPMI do INSS: “se você tiver alguma coisa, você vai pagar”
Presidente afirma que não interfere nas investigações e diz ter orientado o filho a se defender caso seja inocente
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que conversou diretamente com seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, após o nome dele ser citado em investigações conduzidas pela CPMI do INSS, que apura um rombo bilionário no instituto. Segundo o presidente, a orientação foi clara: caso exista qualquer irregularidade, ela deve ser assumida e punida; caso contrário, a defesa deve ser feita nos marcos legais.
As declarações foram dadas em entrevista ao UOL nesta quinta-feira (5). Lula contextualizou que a comissão parlamentar foi instalada a partir de investigações que identificaram a atuação de uma quadrilha estruturada ainda durante o governo de Jair Bolsonaro. “A investigação do INSS acontece porque o governo descobriu que tinha sido montada uma quadrilha no governo Bolsonaro alguns anos atrás”, afirmou.
O presidente disse que, ao tomar conhecimento do esquema, defendeu que o próprio governo solicitasse a abertura de uma CPI, mesmo diante de resistências internas. “Quando descobrimos, eu comecei a dizer para o pessoal que seria a primeira vez na história que o governo ia pedir uma CPI. Aí o pessoal da liderança, dos partidos, do PT: ‘não, o governo não pode fazer a CPI…’. Bom, está feita a CPI. E qual é a orientação do governo? Investigue o que tiverem que investigar”, declarou.
Lula também comentou diretamente as menções ao nome de seu filho no âmbito da comissão, que investiga possíveis repasses envolvendo uma mulher apontada como ligada a Lulinha e um dos personagens centrais do escândalo, conhecido como “Careca do INSS”. Segundo o presidente, a conversa com o filho foi direta e sem concessões. “Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei o meu filho aqui, e eu falo isso com todo mundo. Olhei no olho do meu filho e falei: ‘olha, só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda’”, relatou.
O presidente afirmou que adota o mesmo critério para si próprio e que não admite tratamentos diferenciados em investigações. “É assim que eu trato as coisas, com muita seriedade. Assim eu fiz comigo”, disse.
Na entrevista, Lula relembrou o período em que foi preso após condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal e afirmou que optou por permanecer no país para enfrentar o processo judicial. “Quando inventaram a maior mentira jurídica da história desse país para me prender, eu poderia ter saído do Brasil. Quando decidi ficar e ir para a Polícia Federal é porque eu queria desmascarar o que foi feito comigo”, afirmou.
O presidente encerrou a declaração com críticas à atuação de setores da imprensa no período em que foi alvo de acusações. “Eu trabalho com a fé de que mesmo daqui a 50 anos uma parte da imprensa tenha a coragem de pedir desculpas pelas mentiras que contaram e pelo endeusamento que fizeram a algumas pessoas que hoje não valem nada”, disse.


