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Caso Master é a “primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção”, afirma Lula

“Não me importa que envolva políticos, partidos, bancos. Quem tiver metido nisso vai ter que pagar”, diz o presidente

Lula (Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados )

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o caso envolvendo o Banco Master representa uma oportunidade rara para avançar contra esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro no país, com foco em figuras que, segundo ele, costumam escapar da responsabilização. Lula disse que não fará interferência política e que a apuração deve seguir critérios técnicos, conduzida pelo Banco Central.

As declarações foram dadas em entrevista ao UOL nesta quinta-feira (5). Na conversa, o presidente relatou encontros com representantes de diferentes instituições financeiras e explicou como tratou o assunto quando foi procurado por Guido Mantega e pelo empresário Daniel Vorcaro, ligado ao banco. “Eu já recebi o Itaú, o Bradesco, o Santander, o BTG, todos os bancos. Quando o Guido [Mantega] veio com o Daniel Vorcaro a Brasília e pediu para eu atender, eu chamei o Galípolo, o Rui Costa, que conhecia ele, e ele então me contou que ele estava sofrendo uma perseguição”, afirmou.

Lula disse que deixou claro ao empresário que o governo não adotaria postura política a favor ou contra a instituição e que o assunto ficaria restrito a uma investigação técnica. “O que eu disse para ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo BC. Foi esta a conversa: ‘você fique tranquilo que a política não entrará na investigação; o que vai entrar é a competência do BC para saber se você quebrou ou não, se tem dinheiro lavado ou não’”, declarou.

O presidente também afirmou ter convocado integrantes do núcleo econômico do governo e buscado o envolvimento da Procuradoria-Geral da República para acompanhar as discussões. Segundo ele, o objetivo é abrir caminho para uma responsabilização ampla, inclusive de atores influentes. “Depois disso chamei o ministro da Fazenda, o presidente do BC e convidei para virem aqui para ouvirem o que eu ia conversar com os meus ministros o procurador-geral da República… Porque estávamos diante da primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção da lavagem de dinheiro desse país. É uma chance extraordinária”, disse.

Na sequência, Lula reforçou que não pretende restringir o alcance das apurações caso surjam nomes ligados à política, partidos ou ao sistema financeiro. “Não me importa que envolva políticos, partidos, bancos. Quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade de dar talvez o maior rombo econômico da história desse país”, afirmou.

Ao comentar acusações envolvendo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e supostas ligações com o Banco Master, Lula saiu em defesa do auxiliar e argumentou que a prestação de serviços jurídicos por profissionais renomados é prática comum. “O Lewandowski é um dos maiores juristas que esse Brasil já produziu. E todo e qualquer bom jurista é contratado por qualquer empresa que esteja com qualquer dificuldade”, disse. Segundo o presidente, Lewandowski havia deixado a Suprema Corte e firmou contrato com o banco, mas se desligou ao ser convidado para o ministério. “Quando eu convidei [para ser ministro da Justiça] ele saiu do banco. Não tem problema nenhum”, acrescentou.

Lula afirmou que, no entanto, a conduta do governo será aprofundar a investigação sobre as conexões financeiras e institucionais do caso. “O que é importante é ter claro de que nós vamos a fundo nesse negócio. Queremos saber porque o governo do Rio de Janeiro e o estado do Amapá colocaram dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Master e o BRB? Quem está envolvido?”, questionou.

Indagado sobre uma eventual orientação ao PT para atuar em uma CPI sobre o Banco Master, Lula negou que essa seja uma atribuição do presidente da República e disse respeitar limites institucionais. “Isso não é papel do presidente, tenho cuidado de não extrapolar os limites. Não sou PF, não sou BC e não sou MP, e muito menos tenho poder de interferir nas decisões da Suprema Corte”, afirmou.

Ainda assim, o presidente reiterou que a diretriz do governo é aprofundar a apuração sem restrições e identificar responsabilidades. “É preciso que a gente vá a fundo nisso. Não sei que partido está envolvido, que presidente de partido, que governador, se tem deputado, senador, prefeito, mais empresários. O dado concreto é que a ordem é a seguinte: vamos investigar até as últimas consequências para ver se a gente tira esse rombo que um banco deu na economia brasileira para que isso nunca mais se repita”, disse.

Lula também afirmou que o caso pode expor ao público figuras que, segundo ele, influenciam o debate nacional sem serem diretamente alcançadas por investigações. “E mostrar ao povo quem são os magnatas, que muitas vezes ficam pintando na imprensa, dando palpite nas coisas do governo”, concluiu.

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