HOME > Brasil

Republicanos reavalia apoio a Flávio Bolsonaro enquanto tenta se afastar da crise do Banco Digimais

Em meio à investigação da PF sobre o Digimais, partido discute apoio a Flávio Bolsonaro e reavalia estratégia para 2026

Republicanos reavalia apoio a Flávio Bolsonaro enquanto tenta se afastar da crise do Banco Digimais (Foto: Reprodução )
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O Republicanos avalia uma reaproximação política com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao mesmo tempo em que busca se desvincular dos impactos da crise envolvendo o Banco Digimais, alvo de uma operação da Polícia Federal. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo.

Nos bastidores da legenda, dirigentes discutem interromper o processo de afastamento que marcou a relação com Flávio nos últimos meses. O movimento ocorre em meio ao desgaste provocado pelas investigações sobre o Digimais, instituição ligada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, que mantém forte influência histórica sobre o partido.

Embora o Republicanos tenha vínculos com a Universal, lideranças da sigla têm procurado reforçar a autonomia política do partido. O presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, que também é bispo da igreja, sustenta junto a aliados que o Republicanos desenvolveu identidade própria e que grande parte de seus parlamentares não possui ligação direta com a denominação religiosa nem integra o segmento evangélico.

O cenário de insatisfação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tem alimentado discussões internas sobre o posicionamento da legenda para a disputa presidencial. Entre os defensores de uma composição com Flávio Bolsonaro, ganhou força a ideia de que o partido participe de forma mais ativa da campanha do senador.

Uma das vozes favoráveis a essa aproximação é a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que elogiou a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e atualmente integrante da equipe econômica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.

“Ela é forte, inteligente e está no Republicanos. Pode ser uma boa vice dele (Flávio)”, afirmou Damares.

Daniella Marques filiou-se ao Republicanos em abril, dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral para disputar as eleições de outubro. Apesar das especulações, a legenda ainda não definiu qual estratégia adotará na corrida presidencial. Setores mais próximos do governo Lula defendem uma posição de neutralidade, permitindo que lideranças regionais façam suas próprias escolhas.

A resistência inicial do Republicanos a uma aliança com Flávio Bolsonaro esteve relacionada, entre outros fatores, à preferência de parte da cúpula partidária pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato apoiado pelo campo bolsonarista. O partido também acompanhou com preocupação os efeitos políticos do escândalo envolvendo o Banco Master.

A revelação da proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, contribuiu para desgastar a imagem do senador e afetou seu desempenho nas pesquisas eleitorais. Embora ele não tenha recuperado os índices anteriores à crise, conseguiu estabilizar sua posição nos levantamentos mais recentes.

Enquanto isso, a federação União Progressista (União Brasil-PP), também atingida pelos desdobramentos do caso Master devido às relações de dirigentes com Vorcaro, tem demonstrado maior inclinação à neutralidade na disputa presidencial. O Republicanos, por sua vez, continua avaliando a possibilidade de apoiar o PL.

Nos últimos meses, sinais emitidos pela legenda indicavam uma postura mais moderada em relação ao governo Lula e um distanciamento de Flávio Bolsonaro. Segundo a reportagem de O Globo, essa mudança ficou evidente durante as celebrações da Semana Santa promovidas pela Igreja Universal. Apesar da expectativa de manifestações críticas à esquerda nos eventos religiosos, o tom adotado acabou sendo mais discreto.

Integrantes da sigla admitem reservadamente que o caso Digimais passou a influenciar as discussões internas. Outros dirigentes, entretanto, argumentam que a investigação da Polícia Federal não deve interferir na definição da estratégia eleitoral do partido e que a decisão sobre a sucessão presidencial será tomada independentemente do andamento das apurações.

O Banco Digimais foi alvo de uma operação da Polícia Federal na última semana. Segundo os investigadores, a instituição é suspeita de realizar operações destinadas a fraudar o sistema financeiro nacional. A apuração aponta que o banco teria manipulado balanços e supervalorizado ativos para apresentar uma situação patrimonial mais favorável ao mercado e aos investidores.

Antes da operação, o Digimais chegou a negociar uma possível aquisição pelo BTG Pactual. A transação previa um aporte de R$ 7 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), entidade privada que reúne instituições financeiras, entre elas Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Com o avanço das investigações e o bloqueio judicial de R$ 670 milhões, analistas e agências de classificação de risco passaram a avaliar que a situação financeira da instituição se tornou mais delicada.

Em nota, o Banco Digimais afirmou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, declarou o banco.

Artigos Relacionados