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CDBs do Digimais, ligado a Edir Macedo, disparam 1.130% em oito anos

Polícia Federal investiga gestão fraudulenta e vê semelhança com método atribuído ao Banco Master

Banco Digimais (Foto: Divulgação)
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247 - O Banco Digimais, instituição financeira ligada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, entrou no centro de uma investigação da Polícia Federal após o saldo de seus Certificados de Depósito Bancário, os CDBs, registrar alta de 1.130% em oito anos e chegar a R$ 8,5 bilhões em 2025, em meio a suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas, informa Tácio Lorran, no Metrópoles.

A carteira de CDBs do Digimais era de R$ 694 milhões em 2017. A partir daquele ano, o volume cresceu de forma contínua até alcançar R$ 8,5 bilhões em 2025. Para atrair investidores, o banco teria oferecido remunerações elevadas, com papéis chegando a 140% do CDI.

Operação Miragem mira banco ligado a Edir Macedo

O Digimais foi alvo da Operação Miragem, deflagrada pela PF na terça-feira (23). A investigação apura suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de informações falsas em balanços e demonstrativos contábeis, além da realização de operações de crédito proibidas.

A Justiça também autorizou mandados de busca e apreensão, a quebra de sigilos fiscais de 18 investigados e o bloqueio de bens do bispo Edir Macedo. A apuração concentra parte de suas suspeitas no crescimento acelerado da captação por meio de CDBs.

De acordo com a investigação, o Digimais teria utilizado o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, como uma espécie de proteção para sustentar operações de risco. A PF compara esse modelo ao caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, ao apontar possível transferência de prejuízos para o sistema de proteção institucional.

No entendimento dos investigadores, a instituição captava bilhões de reais junto ao público, mesmo com fragilidades financeiras, e se apoiava na expectativa de cobertura do FGC em caso de problemas futuros.

PF aponta risco transferido ao sistema financeiro

Em trecho da representação, a PF afirma que o crescimento da captação não teria respaldo na capacidade patrimonial do banco. “Ocorre que o crescimento do volume de captação não possuía lastro na capacidade patrimonial da instituição emissora, sustentando-se na expectativa de cobertura por parte do FGC, o que demonstra que a gestão utilizou a garantia coletiva para captar liquidez, ocultar o passivo descoberto e transferir o risco da operação para o sistema financeiro”, diz a Polícia Federal.

A declaração integra a linha de investigação segundo a qual a instituição teria ampliado sua base de investidores ao mesmo tempo em que enfrentava deterioração financeira. Para a PF, a garantia do FGC teria sido instrumentalizada como mecanismo de sustentação da captação.

CDBs chegaram a oferecer até 140% do CDI

A investigação aponta que o Digimais passou a oferecer remunerações acima da média do mercado para ampliar sua captação. Em 2025, o custo médio de captação por meio de plataformas de distribuição chegou a 115,7% do CDI.

Ainda segundo a PF, alguns CDBs do banco foram ofertados com rentabilidade de até 140% do CDI, percentual considerado elevado e capaz de atrair investidores em busca de retornos maiores em renda fixa.

Enquanto expandia a captação de recursos, o Digimais também registrava lucros que passaram a ser questionados pelos investigadores. A apuração busca esclarecer se os resultados divulgados refletiam a real situação patrimonial da instituição.

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