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Liquidação do Digimais pode aumentar conta do FGC para R$ 60 bilhões

Caso tem semelhanças com o Banco Master e pode exigir novos esforços de recomposição do FGC; Digimais foi alvo de uma operação da PF nesta terça-feira

Liquidação do Digimais pode aumentar conta do FGC para R$ 60 bilhões (Foto: Divulgação | Gerada por IA)
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247 - A eventual liquidação do Banco Digimais pode ampliar significativamente os custos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), elevando a fatura total relacionada a recentes crises bancárias para cerca de R$ 60 bilhões, de acordo com a coluna da jornalista Mariana Barbosa, do UOL. 

Embora não tenha ligação societária com o Banco Master, o Digimais operava de forma semelhante, segundo informações que vieram à tona durante as investigações. O banco teria utilizado uma estrutura de fundos com ativos supervalorizados para inflar artificialmente seu patrimônio e ampliar a captação de recursos junto a investidores.

PF apura supostos crimes contra o sistema financeiro

O Digimais foi alvo da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (23) para apurar supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Os agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. Entre as medidas determinadas pela Justiça estão a quebra de “sigilos bancário e fiscal dos investigados e o sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670 milhões".

Estrutura investigada pela PF

De acordo com as apurações, a valorização excessiva dos ativos permitia ao banco captar mais recursos por meio de plataformas de investimento, utilizando a cobertura oferecida pelo FGC como um elemento de atração para investidores. O Digimais também atuava no mercado de crédito consignado para servidores públicos, segmento em que o Banco Master construiu parte relevante de suas operações.

Segundo a Polícia Federal, a fraude investigada teria sido estruturada pela corretora ID. Os sócios e gestores da empresa possuem histórico ligado ao banco Máxima, instituição que posteriormente deu origem ao Banco Master.

Especialista vê novo desafio para o FGC

Ainda não há estimativas definitivas sobre o impacto do caso para o patrimônio do FGC. Para Rafael Schiozer, professor de Finanças da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), o episódio representa mais um teste para a capacidade de resposta do fundo.

"É mais um baque no FGC. E a necessidade de antecipar os prêmios de seguro fica mais premente. Tudo vai depender de quanto e quão rápido o FGC conseguirá recuperar", afirmou.

O especialista ressalta que ainda faltam informações para um diagnóstico mais preciso, mas avalia que a recuperação de ativos pode ser superior à observada no caso do Banco Master. "Há muita informação faltando mas, se o FGC tiver que honrar garantias, provavelmente deve recuperar mais do que no caso do Master."

Patrimônio do Digimais pode evitar liquidação

Schiozer afirma que, historicamente, o FGC recupera entre R$ 40 e R$ 50 para cada R$ 100 desembolsados em garantias. Na avaliação do professor, a situação patrimonial do Digimais aparenta ser mais favorável do que a do Master.

"São R$ 3,3 bilhões em títulos de valores mobiliários. Se o volume de ativos inflados ficar nos R$ 670 milhões identificados pela PF, talvez não seja preciso liquidar. Daria para resolver com uma intervenção e ir pagando os depositantes sem precisar do FGC", explicou.

Bancos reforçam caixa do FGC

O debate ocorre em meio a um processo de fortalecimento financeiro do FGC após a crise envolvendo o Banco Master. No início deste ano, os bancos responsáveis pelas contribuições ao fundo — entre eles Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander — anteciparam 60 parcelas de recolhimento. 

A operação resultou em uma injeção de aproximadamente R$ 32 bilhões no patrimônio do fundo, com recursos oriundos dos depósitos compulsórios. O cronograma de reforço continuará nos próximos anos. 

Para 2027 e 2028, as instituições financeiras deverão antecipar mais 12 parcelas anuais de contribuição, acrescentando cerca de R$ 5,3 bilhões ao caixa do FGC.

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