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Manipulação, operações ilegais e fraudes contábeis: quais são as suspeitas sobre o Banco Digimais

PF investiga o Banco Digimais por suspeitas de gestão fraudulenta e manipulação de balanços. Justiça bloqueia R$ 670 milhões em bens e valores

Edir Macedo (Foto: Reprodução (IURD))
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247 - A Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar suspeitas de manipulação de balanços, operações financeiras supostamente ilegais e possíveis fraudes contábeis no Banco Digimais, instituição ligada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A ação inclui o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores que pode chegar a R$ 670.348.945,70, segundo o G1.

Mais de 50 policiais federais participam da operação, autorizada pela Justiça Federal em São Paulo. A decisão judicial também permitiu a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do sequestro e bloqueio de patrimônio relacionado ao caso.

As investigações tiveram como ponto de partida relatórios elaborados pelo Banco Central do Brasil. Segundo a PF, os documentos indicaram irregularidades graves na condução dos negócios pelos administradores da instituição financeira.

Suspeita de manipulação de balanços

Conforme as apurações, o esquema investigado envolveria a manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis. O objetivo, segundo a investigação, seria ocultar a real situação econômico-financeira do banco e transmitir aos órgãos de controle uma aparência de solvência.

A suspeita é que a prática tenha permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas em valores que somariam centenas de milhões de reais. A PF também apura operações financeiras supostamente ilegais que teriam beneficiado a empresa controladora do banco.

Outro ponto investigado é a possível falsificação ou manipulação de informações inseridas em sistemas oficiais de registro do órgão regulador. A apuração busca identificar se dados contábeis e financeiros foram apresentados de forma irregular para sustentar uma imagem de solidez da instituição.

Títulos teriam sido reavaliados artificialmente

O Banco Digimais teria adotado uma estratégia de crédito considerada temerária. Após comprar títulos de valor reduzido, a instituição teria feito uma nova avaliação desses papéis, elevando artificialmente seus valores.

No balanço do banco, esses títulos passariam a indicar capacidade de pagamento e lastro financeiro, mesmo diante de prejuízo. A suspeita é que esse mecanismo tenha ajudado a instituição a evitar uma liquidação pelo Banco Central.

A Polícia Federal afirma que os investigados poderão responder, conforme a responsabilidade de cada um, por crimes previstos na Lei nº 7.492/1986, que trata dos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre as suspeitas estão gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas.

O que é o Banco Digimais

O Banco Digimais foi fundado em 1981, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com o nome de Banco Renner. A instituição foi criada pela família Renner e, ao longo dos anos, passou por mudanças societárias até adotar a marca Digimais em 2020.

Naquele ano, o banco foi reestruturado para operar como uma instituição digital. Também foi em 2020 que Edir Macedo assumiu o controle integral do antigo Banco Renner, após adquirir a totalidade das ações. Ele já era acionista minoritário desde 2009.

Em janeiro de 2025, Edir Macedo chegou a transferir o controle do Banco Digimais ao empresário Maurício Quadrado. No entanto, o grupo de Quadrado, posteriormente rebatizado como BlueBank, não chegou a encaminhar toda a documentação ao Banco Central e acabou desistindo da operação em razão da deterioração recente do mercado.

A transação havia sido aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Maurício Quadrado foi sócio e head de Investment Banking do Banco Master entre 2020 e 2024, período em que liderou aquisições relevantes para o grupo. Em 2024, o executivo vendeu sua participação de 30% no banco.

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