Sindicato critica uso eleitoral do Pix e defende caráter técnico do sistema
SINAL afirma que Pix foi criado por servidores do Banco Central e alerta contra apropriação política em campanhas eleitorais
247 - O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (SINAL) divulgou uma nota pública em que critica a utilização do Pix com fins eleitorais e reforça que o sistema de pagamentos instantâneos é resultado do trabalho técnico de servidores de carreira da instituição. Segundo a entidade, a ferramenta não pode ser atribuída a governos ou utilizada como instrumento de promoção política.
Em comunicado oficial, o SINAL destaca que o desenvolvimento do Pix teve início antes do atual governo federal. A entidade lembra que a portaria nº 97.909 do Banco Central, responsável por instituir o grupo de trabalho para criação do sistema, foi publicada em maio de 2018, anterior às eleições presidenciais daquele ano.
Ainda de acordo com o sindicato, não há registro de menção ao Pix no programa eleitoral apresentado por Jair Bolsonaro ao Tribunal Superior Eleitoral em 2018. O texto também aponta que, em novembro de 2020, o então presidente chegou a associar o Pix à aviação civil em discurso público, evidenciando desconhecimento sobre o sistema naquele momento.
A nota enfatiza a distinção entre políticas de Estado e ações de governo, ressaltando que o Banco Central conta historicamente com servidores qualificados que conduzem projetos com base em critérios técnicos, independentemente de interesses políticos. O SINAL argumenta que essa autonomia foi essencial para a implementação do Pix.
O sindicato também afirma que, ao longo dos últimos anos, houve entraves à atuação do Banco Central. Entre os pontos citados estão a redução contínua do orçamento da instituição desde 2019, ameaças de corte salarial a servidores durante a pandemia de covid-19 e limitações impostas ao debate técnico durante a tramitação da lei de autonomia do Banco Central no Congresso Nacional.
Além disso, a entidade menciona a proposta de reforma administrativa (PEC 32), que, segundo o SINAL, teria fragilizado garantias de atuação independente dos servidores da autarquia.
Ao final, o sindicato reafirma seu posicionamento apartidário e declara que não aceitará o uso eleitoral do trabalho realizado por analistas e técnicos do Banco Central. A entidade reforça que o Pix é fruto de um esforço institucional contínuo e não deve ser apropriado por candidatos ou governos em campanhas políticas.


