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Após se alinhar aos interesses dos EUA, Flávio Bolsonaro nega que vá acabar com o PIX caso seja eleito

Declaração do senador e pré-candidato à Presidência ocorre em meio a críticas dos EUA ao sistema de pagamento brasileiro

Flávio Bolsonaro (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)

247 - O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que não pretende acabar com o Pix caso seja eleito, rebatendo rumores que circulam nas redes sociais sobre o tema. 

Segundo a CNN Brasil, em um vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar classificou as informações como falsas e destacou a relevância do sistema para a economia brasileira.

Flávio Bolsonaro nega rumores sobre o Pix

Ao comentar o assunto, Flávio Bolsonaro afirmou que o sistema de pagamentos é um ativo importante do país. "O Pix já é um patrimônio brasileiro, é um legado muito importante, criado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro", disse. Na sequência, ele reiterou o caráter popular da ferramenta. "O Pix é um legado do presidente Bolsonaro, o Pix é do brasileiro", afirmou.

O senador também reagiu diretamente às informações que apontam para o possível fim do sistema. "É lógico que é uma mentira, uma loucura, sem pé nem cabeça", declarou. Segundo ele, sua pré-campanha tem utilizado ferramentas como inteligência artificial e estratégias digitais para combater a desinformação sobre o tema.

Pix entra no centro do debate internacional

O Pix também tem sido alvo de questionamentos no cenário externo. Um documento divulgado nesta semana pelo Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) apontou o sistema como uma possível barreira aos interesses comerciais estadunidenses.

Essa não é a primeira vez que o mecanismo é mencionado por autoridades dos Estados Unidos. Em julho de 2025, o Pix já havia sido citado em uma lista de reclamações durante uma investigação comercial aberta pelo país, ainda na gestão do presidente Donald Trump.

Lula também sai em defesa do sistema

No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também se manifestou em defesa do Pix, ressaltando a importância do serviço para a população brasileira. "O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando para a sociedade brasileira. O que nós podemos fazer é aprimorar o Pix para que, cada vez mais, ele possa atender à necessidade de mulheres e homens deste país", afirmou.

Senador defendeu interesses dos EUA em evento conservador

Recentemente, ao participar da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no Texas, o senador defendeu uma aproximação estratégica entre Brasil e Estados Unidos, destacando o potencial brasileiro no fornecimento de minerais críticos, como as terras raras, como alternativa à dependência estadunidense da China.

Na ocasião, Flávio Bolsonaro também criticou o governo Lula e a política externa brasileira. Em sua fala, afirmou que "Lula e seu partido são abertamente antiamericanos. Ele fala em enfraquecer o dólar como moeda global, alinhou o Brasil à China e se opôs aos interesses americanos em diversas áreas da política externa. Criticou publicamente ações dos EUA em relação à Venezuela, ao Irã, a Cuba e ao combate ao tráfico de drogas. Mais chocante ainda, fez lobby para impedir que os dois maiores cartéis brasileiros fossem classificados como organizações terroristas".

Outro ponto levantado pelo senador foi a defesa da classificação de facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No governo federal, a proposta é vista com cautela. Integrantes da administração avaliam que uma eventual classificação desse tipo, especialmente se acompanhada de respaldo institucional no Brasil, pode abrir espaço para intervenções militares, sanções e ingerência externa, além de representar riscos à soberania nacional.

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