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Troca de bilhete em presídio de SP levou polícia até Deolane

Investigação aponta influenciadora como beneficiária de recursos ligados ao PCC e Justiça bloqueia R$ 27 milhões em bens e valores

Deolane Bezerra (Foto: Reprodução/Instagram)
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247 - A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra nesta quarta-feira (21) é resultado de uma investigação que teve início após a interceptação de bilhetes trocados dentro de um presídio em São Paulo. Segundo as autoridades, o material levou policiais a aprofundarem apurações sobre empresas de transporte supostamente utilizadas pelo PCC para lavagem de dinheiro.

As informações foram divulgadas pelo portal UOL, que acompanhou a coletiva de imprensa das autoridades responsáveis pela operação. De acordo com os investigadores, a apuração identificou a transportadora Lopes Lemos Transportes Ltda como peça-chave do esquema financeiro atribuído à facção criminosa.

Os bilhetes interceptados não mencionavam diretamente o nome de Deolane. Ainda assim, a polícia afirma que as mensagens serviram como ponto de partida para alcançar a influenciadora em fases posteriores da investigação. A partir da análise das movimentações financeiras da transportadora, os investigadores concluíram que a empresa teria sido criada para movimentar recursos ilícitos ligados ao PCC.

Polícia aponta movimentações financeiras suspeitas

Segundo o inquérito, Deolane teria recebido valores considerados expressivos da empresa investigada. As autoridades sustentam que os repasses não tinham relação com serviços advocatícios ou qualquer atividade lícita comprovada.

Durante coletiva, o delegado Edmar Caparroz afirmou que a influenciadora atuaria como elo financeiro da organização criminosa. “Deolane funciona como caixa do crime organizado. O dinheiro dela acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades ilícitas”, declarou.

A investigação também aponta que a ligação entre Deolane e integrantes do PCC seria intermediada por Everton de Souza, apontado pelas autoridades como operador financeiro de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e de seu irmão Alejandro Camacho.

Operação previa prisão da influenciadora na Itália

As autoridades revelaram ainda que a Polícia Federal planejava prender Deolane na Itália, onde ela esteve até a véspera da operação. O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que os deslocamentos da influenciadora vinham sendo monitorados havia meses.

Segundo ele, investigadores souberam que Deolane embarcou para a Itália em abril. A partir disso, seu nome teria sido incluído de forma sigilosa em uma lista da Interpol, enquanto órgãos brasileiros articulavam a operação internacional para efetuar a prisão.

“Se a Deolane estivesse aqui hoje ela seria presa inclusive às 11h da manhã da Espanha, seis horas da manhã do Brasil”, afirmou Gakiya durante a coletiva.

Retorno ao Brasil levanta suspeitas

De acordo com o delegado Ramon Pedrão, a polícia acredita que o retorno da influenciadora ao Brasil um dia antes da operação possa ter ocorrido após vazamento de informações. Os investigadores afirmam ter identificado que ela compareceria à Polícia Federal para renovar o passaporte.

“Constatamos que hoje ela iria renovar o passaporte na Polícia Federal e foi esse o motivo do retorno dela”, disse o delegado.

A polícia informou ainda que Deolane não deverá ser ouvida imediatamente. Antes do depoimento, os investigadores pretendem analisar documentos, equipamentos e outros materiais apreendidos durante a operação.

Justiça bloqueia R$ 27 milhões

A decisão judicial determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e valores ligados à influenciadora. A medida foi autorizada pela 3ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau, no interior paulista.

Segundo os investigadores, as movimentações financeiras atribuídas a Deolane seriam incompatíveis com os rendimentos oficialmente declarados. O relatório policial também sustenta que empresas associadas a ela possuem características típicas de estruturas voltadas à lavagem de dinheiro.

As autoridades apontam ainda que algumas dessas empresas funcionariam em imóveis residenciais simples nas cidades de Santo Anastácio e Martinópolis, sem sinais aparentes de atividade operacional compatível com os valores movimentados.

Investigação destaca patrimônio de luxo

O relatório policial também menciona o padrão de vida ostentado publicamente pela influenciadora. Entre os bens citados estão veículos de luxo, como Lamborghini e McLaren, além de aeronaves.

Para os investigadores, o patrimônio seria incompatível com as fontes de renda consideradas lícitas identificadas até o momento. A polícia sustenta que o dinheiro ilícito passaria pelas contas da influenciadora antes de retornar ao esquema criminoso.

Além de Deolane, a operação cumpre outros cinco mandados de prisão preventiva. Um dos alvos é Marcola, já detido no sistema prisional federal.

Defesa critica investigação

O UOL informou ter procurado o advogado apontado como representante de Deolane, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

Nas redes sociais, Daniele Bezerra, irmã da influenciadora e também advogada, criticou a operação e afirmou que há tentativa de transformar “suposições em verdades e manchetes em condenações”.

Ela também declarou que a prisão estaria baseada em alegações “cercadas de ilações, narrativas e perseguições”.

Deolane já havia sido presa em 2024

Esta não é a primeira vez que Deolane Bezerra enfrenta prisão preventiva. Em 2024, ela foi detida durante uma operação da Polícia Civil de Pernambuco contra um esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais.

Na ocasião, a influenciadora e sua mãe foram levadas para a Colônia Penal Feminina de Buíque, no interior pernambucano. Posteriormente, Deolane conseguiu autorização para cumprir prisão domiciliar.

No entanto, ela voltou à prisão no dia seguinte após descumprir uma medida cautelar imposta pela Justiça. Depois de 20 dias, ela e a mãe foram libertadas por decisão judicial, que também beneficiou outros investigados ligados à operação Integration.

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