Viúva de gari morto cobra data de júri para empresário em BH:"Covardia"
René da Silva Nogueira Júnior segue preso após nova negativa de habeas corpus, enquanto família de Laudemir pede julgamento
247 - A viúva do gari Laudemir de Souza Fernandes, morto a tiros em agosto do ano passado em Belo Horizonte, cobra que a Justiça marque a data do julgamento do empresário René da Silva Nogueira Júnior, acusado de efetuar os disparos após uma suposta briga de trânsito. O réu foi pronunciado há cerca de seis meses, mas ainda não há previsão para que seja levado ao Tribunal do Júri
As informações são da rádio Itatiaia. Nesta quinta-feira, a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou mais um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Nogueira Júnior, mantendo o entendimento já adotado em fevereiro para que ele permaneça preso enquanto o processo segue em tramitação.
Liliane França da Silva, viúva de Laudemir, marcou um ato de memória para esta sexta-feira, data em que o gari completaria 45 anos. Ela afirmou que pretende comparecer ao fórum para cobrar o agendamento do julgamento.
“Vou estar lá no fórum e vou fazer um manifesto lá, porque a gente quer agora a data para iniciar o julgamento do René, para que ele seja sentenciado”, destacou Liliane, em declarações publicadas pela rádio Itatiaia.
A viúva também afirmou manter a esperança de que o julgamento seja marcado e de que o empresário seja condenado pela morte de Laudemir.
“Eu tenho fé em Deus que a data ainda vai sair. Vai sair, eles vão marcar essa data e a nossa esperança vai continuar porque eu sei que o René vai ser condenado por essa covardia que ele fez com o Laudemir”, disse.
Defesa teve novo pedido negado pelo TJMG
A nova análise sobre a prisão do empresário ocorreu após um recurso apresentado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mesmo assim, o TJMG decidiu manter René da Silva Nogueira Júnior atrás das grades.
René é acusado de matar Laudemir de Souza Fernandes em 13 de agosto do ano passado, em Belo Horizonte. Segundo a investigação, o crime ocorreu depois de uma discussão de trânsito. O empresário nega ter cometido o assassinato.
O caso teve grande repercussão em Minas Gerais e também chamou atenção por envolver a delegada de polícia Ana Paula Lamego Balbino, esposa do acusado, que está afastada das funções na Polícia Civil de Minas Gerais.
Delegada esposa do réu segue afastada da Polícia Civil
Ana Paula Lamego Balbino permanecerá afastada da Polícia Civil de Minas Gerais por pelo menos mais 60 dias. A prorrogação da licença médica foi publicada no Diário Oficial do estado na semana passada.
Segundo o ato do governo mineiro, o novo período de afastamento passou a valer em 9 de junho e segue até 9 de agosto. Caso não retorne ao trabalho, a delegada completará, em 13 de agosto, um ano fora da corporação.
Ana Paula deixou o exercício do cargo dois dias após o assassinato de Laudemir. Desde então, permanece licenciada por motivos de saúde.
A delegada ocupa o nível especial da carreira na Polícia Civil de Minas Gerais. Seu nome ganhou repercussão nacional depois que o marido se tornou réu pela morte do gari.
Investigação mira acesso à arma usada no crime
A delegada também passou a ser alvo de apuração após suspeitas de que teria emprestado ou permitido o acesso do marido à arma utilizada no caso. René afirmou, em sua defesa, que pegou a pistola sem o conhecimento da esposa.
Inicialmente, Ana Paula foi investigada por supostos crimes de porte ilegal de arma de fogo e prevaricação. O Ministério Público de Minas Gerais, no entanto, não apresentou denúncia imediata contra ela, considerando a possibilidade de celebração de um Acordo de Não Persecução Penal.
Segundo apuração divulgada anteriormente pelo jornal Estado de Minas, a Corregedoria da Polícia Civil concluiu, em procedimento sigiloso, que a delegada teria realizado consultas ao sistema de Registro de Eventos de Defesa Social (REDS) relacionadas ao caso.
O mesmo levantamento apontou que Ana Paula teria feito diversas ligações para o marido após o horário do crime. As informações integram apurações que ainda seguem em andamento.
Processo administrativo pode resultar em demissão
Em abril deste ano, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Ana Paula para apurar supostas transgressões disciplinares previstas na legislação aplicada aos servidores policiais civis de Minas Gerais.
Entre as possíveis infrações citadas no procedimento estão uso abusivo da condição de policial, negligência na guarda de objetos confiados em razão da função e descumprimento de deveres funcionais.
Na ocasião, a defesa da delegada afirmou que se manifestaria nos autos e ressaltou que a abertura do PAD não representa comprovação de irregularidades.
Enquanto o processo criminal contra René e as apurações envolvendo Ana Paula seguem em andamento, a família de Laudemir cobra a marcação do júri. A viúva afirma que o julgamento é uma etapa fundamental para que o caso tenha uma resposta definitiva da Justiça.

