Presidência da COP30 admite avanços limitados e cobra aceleração da ação climática
Em carta, André Corrêa do Lago reconhece resultados abaixo do esperado e defende nova fase focada na implementação das decisões globais
247 - A Presidência da COP30 reconheceu que os resultados da conferência climática realizada em Belém, em novembro de 2025, ficaram aquém das expectativas de cientistas e de comunidades já afetadas pelos impactos da mudança do clima. Em carta divulgada nesta semana, o presidente da conferência, embaixador André Corrêa do Lago, alertou que o mundo pode ultrapassar ainda nesta década o limite de 1,5 ºC de aquecimento global, referência central do Acordo de Paris, e defendeu a aceleração das decisões internacionais sobre o tema.
No texto, a Presidência da COP30 faz um balanço crítico do encontro e sustenta que, apesar de avanços institucionais, a velocidade das respostas diplomáticas não acompanha a gravidade da crise climática.
A carta afirma que a conferência marcou uma transição do regime climático internacional para uma nova etapa, mais voltada à implementação das decisões já acordadas após três décadas de negociações. Segundo Corrêa do Lago, a urgência imposta pelo aquecimento global exige mecanismos capazes de acelerar a entrega de resultados concretos, superando os limites do atual modelo multilateral.
Nesse contexto, o documento propõe um sistema de dois níveis. O primeiro continuaria baseado no consenso entre os países, garantindo legitimidade política e segurança jurídica. O segundo seria direcionado à implementação prática, permitindo que coalizões de países e atores não estatais avancem na execução das soluções climáticas sem a necessidade de reabrir decisões já pactuadas.
Ao tratar da condução da COP30, Corrêa do Lago destacou que muitos observadores devem avaliar o desempenho da conferência a partir do chamado “mapa do caminho”, expressão usada em negociações internacionais para designar planos de ação com etapas, prazos e metas definidas. Segundo ele, há hoje duas frentes de planejamento em curso. A primeira decorre de uma diretriz nacional estabelecida pelo presidente Lula, envolvendo os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e de Minas e Energia, com foco na transição energética. A segunda diz respeito aos roadmaps que a Presidência da COP30 pretende apresentar à comunidade internacional.
“Estamos conscientes do mapa do caminho, muitos vão julgar a COP30 com o mapa do caminho, apesar de ser uma proposta da Presidência, estamos trabalhando, falando com interlocutores que queremos os envolver. Alguns países ofereceram apoio e nós queremos que o roadmap seja também um documento que reúna a maior inteligência sobre o tema”, afirmou o embaixador.
No balanço apresentado na carta, a COP30 é descrita como a “COP da Implementação”. O texto destaca a mobilização de mais de 480 iniciativas em 190 países por meio da Agenda de Ação Climática e o registro de mais de 120 novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Entre os resultados citados estão ainda a capitalização inicial superior a US$ 6,6 bilhões do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e a adoção de 56 decisões por consenso.
O documento também ressalta o caráter participativo do encontro em Belém, com mutirões temáticos realizados em todos os continentes, eventos preparatórios no Brasil e uma programação extensa na cidade-sede. Foram mencionadas iniciativas como a Zona Verde, a Cúpula dos Povos, a Aldeia Indígena da COP30 e a Marcha Global pelo Clima, que reuniu cerca de 70 mil pessoas.
Ao final, Corrêa do Lago avalia que o regime climático internacional entrou em um período de transformação profunda. Para ele, a resposta à crise climática precisa deixar de depender exclusivamente de negociações formais e passar a se apoiar em um movimento global irreversível, voltado à implementação efetiva das soluções já acordadas pela comunidade internacional.


