Exumação dos corpos: como será o espaço em memória aos jovens do grupo Mamonas Asssassinas
A homenagem foi desenvolvida em parceria entre as famílias dos artistas e o BioParque Cemitério de Guarulhos
247 - Às vésperas dos 30 anos do acidente aéreo que marcou a música brasileira, familiares dos integrantes dos Mamonas Assassinas iniciaram a criação de um memorial vivo em homenagem ao grupo, em Guarulhos, na Grande São Paulo. As informações foram publicadas originalmente pelo jornal O Globo.
O projeto inclui a exumação dos corpos dos músicos, realizada nesta segunda-feira (23), etapa necessária para a cremação de uma pequena parte dos restos mortais que será utilizada no plantio de árvores simbólicas. A inauguração do espaço, aberto ao público e com acesso gratuito, está prevista para ocorrer ainda nesta semana.
A homenagem foi desenvolvida em parceria entre as famílias dos artistas e o BioParque Cemitério de Guarulhos, com o objetivo de criar um espaço permanente de memória, convivência e celebração da trajetória da banda.
Segundo Jorge Santana, primo do vocalista Dinho e CEO da marca ligada ao grupo, todas as decisões foram tomadas coletivamente pelos familiares.
— "O espaço tem toda uma simbologia. Vai ter totens, atividades, QR Code, um “cantinho Mamonas”. Vai continuar tudo gratuito, não terá nenhuma taxa. Os túmulos continuam existindo, assim como as árvores. A parte da campa vai permanecer; só vai existir também esse memorial, um espaço muito bem cuidado, com bancos e locais para os fãs deixarem mensagens" — afirmou ao O GLOBO.
O memorial será instalado atrás das sepulturas onde os músicos estão enterrados, que continuarão preservadas e abertas para visitação. Apenas uma pequena quantidade das cinzas será utilizada no projeto ambiental, sem alterações estruturais nos túmulos originais.
Árvores que preservam a memória
A proposta central do memorial é transformar a homenagem em um espaço vivo. Cada integrante será representado por uma árvore, escolhida pelas respectivas famílias. As cinzas serão depositadas em urnas biodegradáveis junto às sementes selecionadas, permitindo que o crescimento das plantas seja acompanhado digitalmente desde a germinação.
Quando atingirem o estágio adequado, as árvores serão plantadas definitivamente no local do memorial. Cada uma terá identificação própria e totens digitais com QR Codes, reunindo fotos, vídeos, histórias e registros da carreira dos músicos.
De acordo com Jorge Santana, o objetivo é aproximar fãs e visitantes da história do grupo.
— "Vai ser o primeiro memorial vivo. As plantas terão o nome de cada um deles e cada família respondeu pelo seu ente querido. Não houve antecipação da decisão; todos concordaram com a homenagem".
O espaço contará ainda com bancos, áreas de convivência e locais destinados a mensagens e recordações deixadas pelo público, reforçando a proposta de memória coletiva.
Espaço gratuito e aberto ao público
Os organizadores destacam que o memorial foi planejado para permanecer acessível de forma permanente, sem cobrança de ingresso ou taxas de visitação. A intenção é transformar o local em um ponto de encontro para admiradores da banda, mantendo viva a conexão afetiva construída com o público desde a década de 1990.
Novos detalhes sobre horários e programação oficial de inauguração devem ser divulgados ao longo da semana.
A tragédia que marcou o país
Os Mamonas Assassinas estavam no auge da popularidade quando morreram em 2 de março de 1996, após o avião em que viajavam colidir com a Serra da Cantareira durante a aproximação para pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Estavam a bordo o vocalista Dinho (Alecsander Alves), o guitarrista Bento Hinoto, o baixista Samuel Reoli, o tecladista Júlio Rasec e o baterista Sérgio Reoli, além de integrantes da equipe e da tripulação. Todos morreram.
A tragédia provocou comoção nacional imediata. Cerca de 30 mil pessoas passaram pelo velório realizado em Guarulhos, enquanto mais de cem mil acompanharam o cortejo fúnebre até o cemitério. Mesmo com apenas um álbum lançado, a banda vendeu milhões de cópias e se tornou um fenômeno cultural entre o público jovem brasileiro.
Três décadas depois, o memorial busca transformar luto em lembrança permanente, reunindo natureza, tecnologia e participação dos fãs para manter viva a história de um dos grupos mais populares da música nacional.


