Festival de Berlim: Karim Aïnouz afirma que Wenders foi "infeliz" em fala sobre posicionamento político
Diretor brasileiro, que concorre ao Urso de Ouro, rebate posição de Wim Wenders; debate mobiliza cineastas e artistas no evento
247 - A polêmica sobre posicionamentos políticos no júri da Berlinale mobilizou diretores brasileiros presentes ao festival. Karim Aïnouz, que concorre ao Urso de Ouro com "Rosebush Pruning", criticou a posição do cineasta Wim Wenders, presidente do júri, que defendeu que o festival deveria "ficar fora da política". Ele afirmou: "Acho que Wenders foi infeliz. Até porque ele faz um cinema profundamente político e transformador". As informações são do jornal Folha de São Paulo.
Ao comentar a dimensão política do cinema, o diretor declarou: "É político no sentido em que ele questiona as estruturas de poder. É isso que eu chamo de política. É quando você, de fato, conta uma história em que você questiona. Você vai ver um filme como 'Paris, Texas', que é um dos filmes mais emblemáticos dele, ele questiona o que é a relação entre homem e mulher a partir de uma perspectiva íntima, mas ele está falando de um estado de coisas."
O cineasta também citou a influência de Walter Benjamin em sua trajetória. Sobre o impacto do cinema, afirmou: "O cinema tem essa coisa que é muito impressionante. Eu estava na sessão ontem pensando — é um negócio muito estranho, só uma luz batendo numa tela, mas tem uma força muito grande".
Ao falar sobre sua relação com a arte, disse: "Para mim, fazer cinema sempre foi um ato político. Um ato que, de fato, eu tento questionar, criticar, provocar um estado de coisas que eu acho que não está justo. Através de um personagem que nunca vi representado e eu que estou representando. Ou através de uma história que não foi contada que eu estou recontando. Então, acho que sempre foi. Não tem como não ser um ato político."
Visão semelhante foi apresentada pela diretora Eliza Capai, que afirmou que as escolhas criativas e narrativas no cinema também carregam dimensão política. Após a controvérsia, a organização do festival divulgou carta defendendo que artistas não são obrigados a se posicionar sobre todos os temas políticos.
Nos últimos dias, celebridades presentes ao evento também foram alvo de críticas. Michelle Yeoh afirmou não se considerar preparada para comentar políticas anti-imigração do presidente Donald Trump. Já Rupert Grint disse que escolherá o momento adequado para se posicionar politicamente.


